Saúde
26/05/2026
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Você pode entrar saudável no avião e desembarcar com vírus respiratórios, após um voo longo

Pesquisas internacionais mostram que influenza, sarampo, Covid-19 e outras doenças causadas por vírus podem circular pelo ar dentro das aeronaves mesmo com filtros modernos e alta ventilação.

Viajar de avião continua sendo uma das formas mais rápidas de atravessar o mundo, mas especialistas alertam que também pode facilitar a circulação internacional de vírus respiratórios. Em voos longos, passageiros compartilham por horas um ambiente fechado, com grande proximidade física e ar seco, cenário que pode aumentar o risco de transmissão de doenças respiratórias como gripe, Covid-19, sarampo e outras infecções virais. O alerta cresce porque uma pessoa pode embarcar saudável e acabar adoecendo poucos dias depois da viagem sem sequer perceber onde ocorreu a contaminação.

Pesquisas recentes mostram que alguns vírus conseguem sobreviver melhor em ambientes frios e com baixa umidade, características comuns das cabines de aeronaves. O ar seco pode ressecar nariz, garganta e mucosas, reduzindo parte das defesas naturais do organismo contra infecções respiratórias. Além disso, aerossóis contendo partículas virais podem permanecer suspensos no ar por mais tempo.

Um estudo publicado em 2026 na revista científica Building and Environment analisou um surto de Covid-19 em um voo de longa duração e concluiu que a transmissão aérea respondeu por cerca de 92% do risco de contágio observado pelos pesquisadores. O trabalho mostrou que passageiros sentados até duas fileiras de distância da pessoa infectada tiveram risco mais de quatro vezes maior de adoecer em comparação com pessoas mais distantes.

Mesmo assim, os pesquisadores descobriram que quase metade das infecções ocorreu além dessa área próxima ao passageiro infectado. Isso significa que partículas virais podem circular pela cabine e atingir pessoas mais afastadas, mesmo em aeronaves modernas equipadas com sistemas avançados de ventilação.

Os aviões atuais utilizam filtros chamados High Efficiency Particulate Air (HEPA), capazes de remover grande parte das partículas presentes no ar, incluindo vírus e bactérias. O ar da cabine também é renovado constantemente durante o voo. Apesar disso, especialistas afirmam que o risco não desaparece completamente, principalmente em viagens longas, momentos de embarque e desembarque, períodos em que a aeronave permanece parada ou situações em que passageiros próximos estejam tossindo ou espirrando.

Outra pesquisa internacional publicada na revista científica Cell mostrou que pessoas infectadas pela gripe conseguem liberar vírus infecciosos diretamente no ar ao conversar, tossir ou espirrar. O estudo chamou atenção porque conseguiu identificar vírus vivos no ambiente ao redor dos pacientes. Os pesquisadores também descobriram que algumas pessoas liberam quantidades muito maiores de vírus do que outras, o que ajuda a explicar por que certos indivíduos transmitem doenças com mais facilidade.

O sarampo continua sendo uma das doenças mais preocupantes em viagens aéreas porque o vírus pode permanecer suspenso no ar durante horas. Já gripe e Covid-19 preocupam pela enorme circulação mundial e pela facilidade de transmissão respiratória.

Um atual surto de Ebola na África também aumentou o estado de alerta internacional, mas por um motivo diferente. O Ebola não é transmitido pelo ar dentro dos aviões como acontece com gripe ou Covid-19. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas e com sintomas. Mesmo assim, autoridades sanitárias temem que pessoas infectadas, antes do diagnóstico, levem o vírus rapidamente para outros países.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de importância internacional após casos do surto terem sido identificados fora da República Democrática do Congo e chegarem a Uganda por deslocamento de pessoas infectadas. Com isso, aeroportos reforçaram controles sanitários, triagens e monitoramento de viajantes vindos das áreas afetadas.

Especialistas afirmam que medidas simples continuam sendo importantes em voos longos, principalmente em períodos de maior circulação de vírus. O uso de máscara durante boa parte da viagem, especialmente em locais mais cheios do aeroporto e em momentos de proximidade com outros passageiros, ajuda a reduzir o risco de transmissão. A orientação também inclui higienizar as mãos com frequência e evitar tocar o rosto após contato com superfícies compartilhadas.

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