O mercado financeiro iniciou a semana acompanhando de perto as negociações entre Estados Unidos e Irã, que podem ajudar a reduzir as tensões no mercado global de petróleo. Na coluna Weekly Macro View, o sócio e economista-chefe da Galapagos Capital Claudio Ferraz explica que, nos últimos dias, surgiram sinais de avanço nas conversas entre os dois países.
Segundo Ferraz, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que grande parte de um acordo já estaria negociada, restando apenas a definição dos detalhes finais. De acordo com informações divulgadas por fontes da região, a proposta prevê duas etapas: primeiro, a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo, e, em seguida, um período de aproximadamente dois meses para negociar questões relacionadas ao programa nuclear iraniano e aos ativos financeiros congelados do país.
Apesar do otimismo, ainda existe muita incerteza sobre a conclusão do acordo, explica o economista. No domingo, 24 de maio, Trump afirmou que os negociadores não precisam ter pressa para fechar as tratativas. Já o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou que podem surgir boas notícias sobre o Estreito de Ormuz nos próximos dias, mas ressaltou que ainda não existe um entendimento definitivo.
A expectativa de uma solução para o impasse fez o preço do petróleo cair. O petróleo Brent abriu a segunda-feira, 25 de maio, com queda próxima de 6%, sendo negociado em torno de 97 dólares.
No entanto, Claudio Ferraz destaca que, mesmo se o acordo for fechado, a normalização da produção, do refino e da logística de petróleo na região pode levar entre três e seis meses. Ou seja, os impactos positivos sobre os preços não seriam imediatos.
Além da questão geopolítica, os investidores também acompanharam sinais de que a inflação continua sendo uma preocupação nas principais economias do mundo.
Nos Estados Unidos, a ata da reunião de abril do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, mostrou uma postura mais rígida no combate à inflação do que o mercado imaginava inicialmente.
O Fed avalia que a economia segue aquecida, com consumo forte e investimentos em inteligência artificial ajudando a sustentar o crescimento. Ao mesmo tempo, a inflação continua acima da meta estabelecida pela instituição.
Essa visão também foi reforçada por declarações recentes de dirigentes do Fed. Entre elas, a do diretor Christopher Waller, que afirmou que a estabilidade do mercado de trabalho e a aceleração da inflação, impulsionada em parte pelos preços da energia, diminuíram as chances de cortes nos juros no curto prazo. “Em outras palavras, os juros americanos podem permanecer elevados por mais tempo”, diz Ferraz.
Na Europa, o cenário é considerado ainda mais preocupante. Os dados mais recentes mostraram desaceleração da atividade econômica ao mesmo tempo em que os custos das empresas continuam subindo. Esse é um quadro difícil para os bancos centrais, porque a economia perde força, mas a inflação não cede na mesma velocidade. O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), um indicador que mede o nível de atividade econômica, registrou em maio seu pior resultado desde o fim de 2023, sinalizando nova contração da economia da região.
No Brasil, a semana teve menos indicadores relevantes. O principal destaque foi o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Os números de março mostraram resultados mistos entre os setores da economia, mas o desempenho do trimestre segue positivo.
Segundo Claudio Ferraz, o IBC-Br, excluindo o setor agropecuário, avançou 1,2% no trimestre, reforçando a expectativa de um crescimento robusto do PIB brasileiro. A projeção é de alta próxima de 1% no resultado que será divulgado na próxima sexta-feira.
Para os próximos dias, o mercado continuará atento a três fatores principais: a evolução das negociações entre Estados Unidos e Irã, os novos dados de inflação nos Estados Unidos e os indicadores econômicos brasileiros.
Entre eles, ganham destaque o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), uma prévia da inflação oficial do país, e a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB), que mostrará o ritmo de crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre.