Inovação, Tecnologia
26/05/2026
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Brasil vira alvo global de ataques hackers e setor de seguros entra no radar da ameaça digital

Relatórios internacionais apontam avanço dos ataques cibernéticos no país e aumento da preocupação de bancos, seguradoras e empresas com riscos financeiros e operacionais.

O Brasil passou a ocupar posição de destaque no mapa mundial dos ataques cibernéticos. Relatórios internacionais das empresas Fortinet, Acronis e NETSCOUT colocam o país entre os mais atacados digitalmente do mundo e o principal alvo da América Latina. Os ataques atingem principalmente setores ligados à infraestrutura digital e financeira, como telecomunicações, bancos, tecnologia e seguros, que passaram a ser vistos como áreas estratégicas por criminosos virtuais devido ao grande volume de dados e operações online.

A preocupação aumentou em 2025 e continua forte em 2026 por causa da combinação entre crescimento dos ataques, avanço do uso de inteligência artificial por criminosos e expansão acelerada dos serviços digitais no Brasil. O país entrou no radar internacional porque reúne fatores considerados altamente atrativos para hackers: forte digitalização bancária, crescimento do Pix, aumento dos serviços financeiros online e expansão das operações digitais no setor de seguros.

Na semana passada, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) alertou que os ataques digitais deixaram de ser apenas um problema técnico e passaram a representar uma ameaça estratégica para todo o sistema financeiro, incluindo seguradoras. Durante o Encontro de Resseguro, realizado no Rio de Janeiro, representantes do mercado afirmaram que o seguro cibernético está deixando de oferecer apenas indenização financeira e passando também a incluir serviços preventivos, como testes de phishing, treinamentos e ferramentas de proteção digital para empresas.

No evento, Bengt Von Toll, responsável pela área de cyber do Grupo Munich Re, explicou que o desafio das seguradoras é tornar os riscos digitais mais claros e compreensíveis para os clientes. Segundo especialistas, os ataques cibernéticos podem causar paralisação de operações, interrupção de vendas online, vazamento de dados e prejuízos financeiros e reputacionais para empresas de diversos setores.

Estudos internacionais mostram que a velocidade dos ataques também preocupa. Uma pesquisa publicada pela Cornell University, em Nova York, apresentou ferramentas de inteligência artificial capazes de detectar invasões em poucos minutos. Essa rapidez é considerada essencial porque relatórios globais indicam que criminosos conseguem se movimentar dentro das redes corporativas em menos de meia hora após invadir um sistema.

Outro levantamento da NETSCOUT mostra que o Brasil continua entre os países mais afetados por ataques do tipo Ataque Distribuído de Negação de Serviço (Distributed Denial of Service – DDoS), técnica usada para derrubar sites, aplicativos e plataformas digitais por meio de um excesso artificial de acessos simultâneos. Especialistas costumam comparar esse tipo de ataque a um “engarrafamento digital”, criado para impedir o funcionamento normal de sistemas online.

Segundo a empresa, os ataques DDoS registrados no Brasil tiveram duração média de cerca de 47 minutos entre julho e dezembro de 2025. Em alguns casos, um único ataque utilizou até 24 métodos diferentes ao mesmo tempo para tentar sobrecarregar sistemas digitais. As operadoras de telecomunicações móveis lideraram o ranking de setores mais atacados, com mais de 114 mil ocorrências no período. Empresas de infraestrutura de computação, processamento de dados, hospedagem de sites, bancos e serviços financeiros também aparecem entre os principais alvos.

Os relatórios internacionais também mostram que os criminosos passaram a explorar ferramentas legítimas do próprio sistema operacional Windows para esconder ataques. Um dos casos mais monitorados envolve o PowerShell, sistema criado pela Microsoft para automação e administração de computadores. Segundo a Acronis, hackers estão usando o PowerShell para invadir redes, roubar dados e instalar programas maliciosos sem levantar suspeitas, justamente porque a ferramenta já faz parte do computador e costuma ser usada normalmente por empresas e profissionais de tecnologia. Alemanha, Estados Unidos e Brasil aparecem entre os países onde esse tipo de ataque foi mais identificado.

Outro alerta veio do laboratório FortiGuard Labs, da Fortinet, que monitorou uma campanha internacional de malware voltada à infiltração de sistemas digitais. Os ataques atingiram países como Brasil, Estados Unidos, Alemanha, França e Israel, além de setores como manufatura, tecnologia, construção e mídia. Segundo os especialistas, os criminosos estão mudando rapidamente suas estratégias e utilizando inteligência artificial para automatizar invasões, aumentar a escala dos ataques e dificultar a identificação das ameaças.

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