As farmacêuticas MSD, conhecida como Merck nos Estados Unidos e no Canadá, e Moderna divulgaram novos resultados de uma vacina experimental contra o melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele. Segundo as companhias, a combinação da vacina com um medicamento já aprovado contra o câncer reduziu em 42% o risco de morte ou de retorno do melanoma, em comparação com o uso apenas do medicamento. Isso não significa que 42% dos pacientes deixaram de morrer ou de ter o câncer de volta. O percentual indica que a ocorrência desses eventos foi proporcionalmente menor entre os pacientes que receberam os dois tratamentos.
O risco de disseminação do câncer ou de morte também foi reduzido em 38%, segundo os resultados divulgados. A disseminação ocorre quando as células cancerígenas se espalham para outras partes do corpo, formando novos tumores, chamados metástases. Assim como no resultado anterior, os 38% representam uma redução relativa do risco, e não a proporção de pacientes que deixaram de desenvolver metástases.
A MSD e a Moderna informaram, em 22 de outubro de 2026, que os resultados do estudo clínico de fase 3, etapa que avalia a eficácia e a segurança do tratamento em um número maior de pacientes, foram aceitos para publicação no The New England Journal of Medicine (NEJM), uma das revistas científicas de maior prestígio na área médica.
Os dados também serão apresentados no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri, na Espanha. Importante lembrar que, em agosto, as empresas já haviam anunciado resultados positivos, mas ainda não tinham apresentado os números que indicam a eficácia do tratamento.
Outro resultado ajuda a entender a diferença entre os tratamentos. Após dois anos, 82,2% dos pacientes que receberam a vacina combinada com o medicamento estavam vivos e sem sinais de retorno do melanoma. Entre aqueles que receberam apenas o medicamento, esse percentual foi de 70%. Na prática, a diferença foi de 12,2 pontos percentuais. Isso equivale a aproximadamente 82 em cada 100 pacientes no grupo que recebeu a combinação, contra 70 em cada 100 no grupo que recebeu somente o medicamento.
Os percentuais medem resultados diferentes. A redução de 42% compara o risco de morte ou retorno do câncer entre os dois grupos, enquanto os índices de 82,2% e 70% mostram a proporção de pacientes vivos e sem recidiva após dois anos. Os dados indicam um benefício da combinação, mas não significam que todos os pacientes terão o mesmo resultado.
Chamada intismeran autogene, a vacina utiliza a tecnologia de ácido ribonucleico mensageiro (mRNA), também empregada em algumas vacinas contra doenças infecciosas. A diferença é que ela não foi desenvolvida para prevenir o câncer antes de seu aparecimento. É um tratamento personalizado, aplicado após o diagnóstico e projetado com base em uma amostra do tumor do próprio paciente.
A partir dessa amostra, os pesquisadores identificam características específicas do tumor e desenvolvem uma vacina para ensinar o sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo, a reconhecer e atacar as células cancerígenas. A proposta é ajudar o corpo a combater a doença e diminuir a possibilidade de ela voltar.
As empresas pretendem solicitar a aprovação do tratamento nos Estados Unidos e têm como meta iniciar seu lançamento comercial em 2027, dependendo das etapas regulatórias. Apesar dos resultados promissores, a vacina ainda é experimental e não está disponível para uso clínico de rotina.
Os números divulgados referem-se ao estudo de fase 3 INTerpath-001, que envolveu 1.137 pacientes. Embora os resultados tenham sido aceitos para publicação científica, o artigo completo ainda não estava disponível na data do anúncio. Um estudo anterior, de fase 2, já havia sido publicado em revista científica, mas seus resultados são distintos dos dados mais recentes. A publicação dos resultados completos permitirá que pesquisadores avaliem com mais detalhes os benefícios, os riscos e as limitações do tratamento.