Estados Unidos e Israel já têm planos para uma ofensiva curta e intensa contra o Irã após as eleições de meio de mandato americanas, marcadas para 3 de novembro, mas ainda não contam com a aprovação do presidente Donald Trump, segundo a imprensa dos Estados Unidos. O Irã, por sua vez, ameaçou atacar alvos civis e econômicos nos países vizinhos, incluindo aeroportos, oleodutos e instalações de energia, caso seja alvo de uma ofensiva.
A semana encerrada em 23 de outubro de 2026 foi marcada por uma nova escalada das tensões no Oriente Médio, segundo a análise feita pelo sócio e economista-chefe da Galapagos Capital, Claudio Ferraz, na coluna Weekly Macro View.
No Estreito de Ormuz, dois petroleiros foram atingidos por minas, e o Irã condicionou a reabertura da passagem à aceitação de suas exigências por Washington. Na Arábia Saudita, os houthis voltaram a atacar instalações da Aramco e um aeroporto. Os Estados Unidos também começaram a retirar parte de seus diplomatas da região.
Segundo Ferraz, nesse cenário, o petróleo Brent, referência internacional de preços, permaneceu pressionado e atingiu o maior nível desde o início de maio. Isso ocorreu mesmo com as exportações do Golfo Pérsico próximas ou até acima dos níveis anteriores à guerra, segundo relatos da imprensa. O custo do transporte, porém, continua elevado devido à necessidade de escolta militar e ao uso de rotas alternativas.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, entrou no período de silêncio que antecede a reunião de política monetária de 28 de outubro. A expectativa é de manutenção dos juros. Nas últimas semanas, declarações de integrantes importantes do comitê reduziram a urgência de uma nova alta já em outubro. John Williams, presidente do Fed de Nova York, afirmou que não há necessidade de agir com pressa e sinalizou a possibilidade de apenas mais uma elevação neste ano, em dezembro, explica o economista Claudio Ferraz.
O vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, também defendeu que eventuais mudanças nos juros dependam de uma avaliação cuidadosa dos indicadores econômicos e do ritmo de queda da inflação. Já as declarações mais recentes de Kevin Warsh não trouxeram sinais claros sobre os próximos passos da política monetária.
Os indicadores divulgados na semana mostraram resultados diferentes entre os setores. Segundo Ferraz, a produção industrial americana surpreendeu positivamente, impulsionada, entre outros fatores, pelas atividades ligadas aos centros de processamento de dados, conhecidos como data centers. Por outro lado, o início da construção de moradias caiu ao menor nível desde maio, em um cenário de juros dos financiamentos imobiliários próximos de 7,4%.
Os setores mais sensíveis aos juros, como o mercado imobiliário, continuam sob pressão. Ao mesmo tempo, os pedidos de seguro-desemprego permanecem em níveis baixos, indicando que o mercado de trabalho segue resistente. Com isso, a inflação continua sendo um dos principais fatores considerados pelo Fed. A expectativa é de juros estáveis em outubro, com possíveis ajustes acumulados mais adiante estimados entre 0,5 e 1 ponto percentual, ou de 50 a 100 pontos-base.
No Brasil, os indicadores de atividade econômica continuam apontando para um terceiro trimestre mais fraco. O principal destaque da semana, porém, foi a inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,32% em outubro, abaixo das expectativas do mercado, que estavam próximas de 0,5%, de acordo com a coluna Macro View.
O resultado mais baixo foi explicado principalmente pela variação das passagens aéreas e, em menor medida, dos alimentos consumidos em casa. Apesar do alívio no índice geral, os componentes mais persistentes da inflação mostraram piora. Os serviços subjacentes, que ajudam a identificar tendências menos sujeitas a oscilações pontuais, aceleraram para perto de 6,4% ao ano na média móvel de três meses. A média dos núcleos de inflação, que excluem ou reduzem o peso de itens mais voláteis, ficou próxima de 4,6%, acima do limite superior da meta.
Na avaliação de Claudio Ferraz, o alívio recente da inflação brasileira está concentrado em itens sujeitos a oscilações maiores e ainda não altera a perspectiva de pressão sobre os preços até o fim do ano.
Segundo o economista, os mercados devem acompanhar três fatores principais na próxima semana. No Brasil, o resultado do segundo turno das eleições e os primeiros sinais sobre a política fiscal do presidente eleito estarão no centro das atenções. Nos Estados Unidos, a decisão do Fed em 28 de outubro será importante, mas as indicações sobre os próximos passos em dezembro podem ter ainda mais peso. No dia seguinte, 29 de outubro, serão divulgados dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) americano do terceiro trimestre e a inflação de setembro.
Por fim, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em 3 de novembro, devem influenciar as expectativas sobre o conflito no Oriente Médio. Após a votação, o risco de uma nova ofensiva contra o Irã poderá aumentar, ampliando as incertezas sobre o preço do petróleo, a inflação e o rumo dos juros.