No Dia Mundial da Saúde, comemorado em 7 de abril, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou em Lyon, na França, uma série de iniciativas para fortalecer a cooperação internacional em saúde — entre elas, a articulação de uma nova rede global voltada à abordagem “One Health” (Saúde Única), que integra saúde humana, animal e ambiental.
O anúncio ocorreu durante a One Health Summit 2026 (Cúpula de Saúde Única), organizada pelo governo francês, e reuniu representantes de mais de 800 instituições de cerca de 80 países no Fórum Global de Centros Colaboradores da OMS. O encontro marcou um passo relevante na consolidação de uma estrutura internacional mais coordenada para enfrentar emergências sanitárias cada vez mais complexas.
A proposta da nova rede é ampliar a integração entre instituições científicas e técnicas de diferentes regiões do mundo, garantindo maior agilidade na troca de dados, no monitoramento de riscos e na resposta a crises. A iniciativa ganha relevância diante do aumento de eventos climáticos extremos e da crescente incidência de zoonoses — doenças que passam de animais para humanos e que já representam a maioria das enfermidades emergentes no planeta.
Nesse contexto, a rede funciona como uma plataforma de cooperação contínua, aproximando centros de pesquisa, universidades e autoridades de saúde para que decisões sejam cada vez mais orientadas por evidências científicas. A OMS reforça que o objetivo é transformar conhecimento técnico em ações concretas nos países, reduzindo o impacto de futuras crises sanitárias.
O Brasil ocupa posição de destaque nesse cenário por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), uma das principais instituições participantes da rede. A atuação brasileira se dá por meio de Centros Colaboradores da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da própria OMS, em áreas como políticas farmacêuticas, formação de profissionais de saúde, vigilância de doenças e atenção primária.
Além da Fiocruz, outras instituições brasileiras também integram esse ecossistema de cooperação internacional, como a Universidade de São Paulo (USP), com atuação em enfermagem e saúde ocupacional, o Instituto Butantan, referência em imunizantes e vigilância epidemiológica, e o Instituto Nacional de Câncer (INCA), com destaque em políticas de controle do tabagismo e oncologia.
Durante o encontro, lideranças da OMS enfatizaram a necessidade de fortalecer a autonomia técnica nas decisões em saúde pública, destacando que a ciência deve orientar as respostas globais, enquanto governos têm o papel de implementar as ações.
A articulação da rede também prevê avanços na padronização de dados e no compartilhamento de informações entre países, permitindo que laboratórios e instituições “falem a mesma língua” em situações de emergência. Outro eixo importante é o combate à desinformação, com iniciativas voltadas a ampliar a circulação de informações confiáveis sobre tratamentos, vacinas e medidas de saúde pública.
A mobilização liderada pela Organização Mundial da Saúde surge como resposta às lições recentes de crises sanitárias globais, que evidenciaram os impactos da fragmentação de dados e da falta de coordenação internacional. Ao fortalecer redes de colaboração e aproximar ciência e decisão, a iniciativa busca preparar o mundo para responder de forma mais rápida, integrada e eficaz aos desafios da saúde nas próximas décadas.