Economia
04/08/2026
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Conflitos continuam e incertezas dos bancos centrais aumentam na economia mundial

Análise de Claudio Ferraz, da Galapagos Capital, mostra que os conflitos continuam pressionando o preço do petróleo, enquanto as principais economias do mundo mantêm cautela com os juros e a inflação.

A combinação entre o aumento das tensões no Oriente Médio e as decisões dos principais bancos centrais do mundo voltou a elevar a incerteza sobre os rumos da economia global. A avaliação é da análise Weekly Macro View, elaborada por Claudio Ferraz, sócio e economista-chefe da Galapagos Capital. Segundo o economista, apesar de um breve período de redução dos conflitos, a guerra voltou a se intensificar, mantendo o mercado financeiro atento aos riscos para a inflação e o crescimento econômico.

Depois de um curto cessar-fogo, o conflito voltou a ganhar força. O Irã lançou novos ataques contra forças dos Estados Unidos na região, enquanto Estados Unidos e Arábia Saudita responderam com ações contra grupos apoiados pelo governo iraniano no Iraque. Ao mesmo tempo, os confrontos passaram a atingir áreas estratégicas para o transporte de petróleo e gás natural, incluindo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de exportação de petróleo do mundo.

Ferraz explica que, enquanto o fluxo de petróleo permanecer ameaçado, cresce o risco de alta nos preços da energia. Como o petróleo influencia o custo do transporte, da produção industrial e de diversos produtos consumidos diariamente, esse cenário pode dificultar o controle da inflação em vários países.

Além das tensões geopolíticas, outro destaque da semana foi a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, responsável por definir a taxa básica de juros da maior economia do mundo. Como era esperado, a instituição manteve os juros inalterados. No entanto, a decisão revelou um cenário de divergências entre seus dirigentes, já que três integrantes defenderam um aumento imediato das taxas.

Na avaliação do economista, o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, adotou um discurso considerado pouco objetivo sobre os próximos passos da política monetária. A falta de indicações claras sobre quando os juros poderão voltar a subir aumentou a cautela dos investidores e provocou reação negativa nos mercados financeiros.

Os indicadores divulgados na sequência trouxeram sinais mistos sobre a economia norte-americana. A inflação mostrou desaceleração, um resultado positivo para o controle dos preços. Ao mesmo tempo, a atividade econômica permaneceu forte, impulsionada pelo consumo das famílias e pelos investimentos das empresas. Para Ferraz, esse desempenho reduz a possibilidade de o Federal Reserve iniciar uma redução dos juros no curto prazo.

Na Europa, os dados também reforçaram a cautela. O crescimento econômico superou as expectativas e a inflação voltou a acelerar. Com isso, aumenta a possibilidade de o Banco Central Europeu (BCE) elevar novamente os juros nos próximos meses para conter a alta dos preços.

Na China, o cenário foi diferente. A atividade econômica perdeu força e os indicadores da indústria mostraram desaceleração. Diante desse quadro, o governo chinês sinalizou que poderá adotar novos estímulos para incentivar o crescimento da economia.

No Brasil, os dados de inflação surpreenderam positivamente. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, subiu apenas 0,06% em julho, resultado abaixo das expectativas do mercado. Também houve desaceleração dos preços de serviços e de produtos industriais, indicando uma perda gradual da pressão inflacionária.

O mercado de trabalho continua aquecido, mas já apresenta sinais de desaceleração. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou criação de vagas em junho, embora em ritmo menor, enquanto a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) confirmou desemprego em níveis baixos, mas com perda de força no crescimento da renda dos trabalhadores.

Diante desse cenário, a Galapagos Capital mantém a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central do Brasil, reduza a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na próxima reunião. Ainda assim, Claudio Ferraz avalia que a autoridade monetária deve agir com cautela, já que o ambiente internacional permanece desafiador, com petróleo em alta, inflação ainda preocupando diversas economias e bancos centrais mantendo uma postura rígida em relação aos juros.

Para as próximas semanas, o economista destaca que os mercados deverão acompanhar três fatores principais: a evolução dos conflitos no Oriente Médio e seus efeitos sobre o preço do petróleo, a decisão do Comitê de Política Monetária sobre os juros no Brasil e as próximas sinalizações do Federal Reserve sobre a condução da política monetária nos Estados Unidos.

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