Economia
28/07/2026
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Conflito no Oriente Médio eleva tensão e pode manter pressão sobre inflação e juros

A coluna Weekly Macro View destaca as ameaças às duas das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. A consequência é o aumento da incerteza sobre a economia global, reforçando os desafios para bancos centrais, incluindo o Banco Central do Brasil.

O agravamento do conflito no Oriente Médio voltou ao centro das atenções dos mercados e pode trazer consequências para a economia mundial. A análise faz parte da coluna Weekly Macro View, produzida por Claudio Ferraz, sócio e economista-chefe da Galapagos Capital. Segundo o economista, a principal preocupação é o impacto sobre a oferta global de petróleo, que pode pressionar a inflação e dificultar a redução dos juros em diversos países.

De acordo com Ferraz, o conflito entre Estados Unidos e Irã não apenas continuou, como ganhou uma nova dimensão na semana encerrada em 24 de julho. Além dos ataques na região do Estreito de Ormuz, os Houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã, passaram a atacar petroleiros sauditas no Mar Vermelho, colocando também em risco o Estreito de Bab al-Mandab. Com isso, duas das principais rotas marítimas usadas para o transporte de petróleo passaram a operar sob ameaça ao mesmo tempo.

O impacto já pode ser observado no fluxo de embarcações. Segundo a análise, o número de navios que atravessam diariamente o Estreito de Ormuz caiu para entre três e cinco embarcações, muito abaixo da média de cerca de 35 navios registrada no fim de junho. Para Ferraz, esse cenário aumenta o risco de interrupções no fornecimento de energia para diversos países.

A reação do mercado foi imediata. O preço do petróleo tipo Brent ultrapassou a marca de 100 dólares por barril durante a semana, embora tenha recuado parcialmente nos dias seguintes. Ainda assim, o economista destaca que cresce a percepção de que a oferta global de energia pode permanecer comprometida por mais tempo, especialmente porque as chances de um cessar-fogo continuam reduzidas.

Nos Estados Unidos, os dirigentes do Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, estão no chamado período de silêncio, quando deixam de fazer declarações públicas antes da decisão sobre os juros. Ferraz lembra que a inflação de junho veio abaixo do esperado, reduzindo a possibilidade de aumento dos juros neste mês. No entanto, o avanço dos preços da energia mantém o cenário de cautela, sem descartar a necessidade de manter os juros elevados ou até promovê-los novamente caso a inflação volte a acelerar.

Na Europa, o Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de juros sem mudanças. Segundo Ferraz, a presidente da instituição, Christine Lagarde, reconheceu que a inflação está mais comportada e que a atividade econômica apresenta alguma melhora, mas alertou que os riscos provocados pelo aumento dos preços da energia continuam presentes. Para o economista, o BCE ainda deixa aberta a possibilidade de uma nova alta de juros em setembro.

No Brasil, o cenário da inflação segue mais favorável no curto prazo. A expectativa é que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, mostre desaceleração em julho, impulsionada principalmente pela queda nos preços dos alimentos. Apesar disso, Ferraz ressalta que os preços dos serviços continuam elevados e que as projeções ainda indicam uma inflação acima da meta definida pelo governo ao longo deste ano. Além disso, a alta do petróleo pode aumentar novamente a pressão sobre os preços.

Outro fator acompanhado pelo mercado é o aumento das tarifas de importação anunciado pelos Estados Unidos. Segundo Ferraz, alguns setores da economia brasileira podem sentir os efeitos da medida, embora o impacto sobre o crescimento econômico do país ainda seja considerado limitado.

Na avaliação do economista, a fala do presidente do Banco Central do Brasil (BC), Gabriel Galípolo, trouxe sinais importantes para o mercado. Galípolo destacou que o Brasil possui uma vantagem por ser exportador líquido de petróleo e por oferecer juros mais elevados que outros países, fatores que ajudam a proteger a economia em momentos de choque nos preços da energia. Para Ferraz, o presidente do BC também preservou espaço para realizar um novo corte na taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mesmo diante das expectativas de inflação ainda elevadas.

Para a próxima semana, Claudio Ferraz afirma que os investidores devem acompanhar principalmente três fatores: a evolução do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre o preço do petróleo; as decisões do Federal Reserve e os novos dados de inflação dos Estados Unidos; e, no Brasil, a divulgação de indicadores de inflação e do mercado de trabalho, que servirão de base para a próxima decisão do Copom sobre os juros.

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