Seguros
28/07/2026
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Carros elétricos podem aumentar o valor do seguro e surpreender motoristas

Aceleração instantânea, peças mais caras e reparos especializados fazem o custo da proteção subir e mudam a forma como as seguradoras calculam o risco. Afinal, a tecnologia que oferece desempenho superior também exige uma nova forma de avaliar os riscos.

Os carros elétricos e híbridos vêm conquistando espaço nas ruas por oferecerem menor emissão de poluentes, tecnologia embarcada e economia de combustível. Mas uma característica que encanta muitos motoristas também está chamando a atenção das seguradoras: a aceleração imediata. A resposta quase instantânea ao toque no pedal pode aumentar o risco de acidentes, especialmente entre quem ainda não está acostumado com esse tipo de veículo, e isso já começa a pesar no valor do seguro.

Ao contrário dos automóveis com motor a combustão, que precisam ganhar rotação para desenvolver potência, os veículos elétricos entregam praticamente toda a força do motor no momento em que o acelerador é acionado. Na prática, isso significa arrancadas muito mais rápidas. Para motoristas sem experiência, essa reação pode provocar colisões, principalmente em saídas de semáforos, manobras, retomadas de velocidade e até em estacionamentos.

Esse comportamento tem levado seguradoras a incluir novas variáveis no cálculo do seguro. Além do perfil do motorista e do histórico de acidentes, empresas do setor passaram a considerar com mais atenção a potência do veículo e o tempo necessário para acelerar de zero a 100 quilômetros por hora. Quanto maior o desempenho do automóvel, maior tende a ser o risco de acidentes e, consequentemente, o preço da apólice.

Mas a aceleração não é o único motivo para o seguro dos elétricos custar mais. O próprio projeto desses veículos exige coberturas e serviços que não existem, ou são pouco comuns, nos carros convencionais.

Um dos principais fatores é o alto custo da bateria de tração, responsável por movimentar o veículo. Ela pode representar até metade do valor do automóvel. Em alguns casos, uma batida aparentemente leve na parte inferior do carro pode comprometer a estrutura da bateria. Quando isso acontece, o reparo pode se tornar inviável economicamente e a seguradora opta por indenizar o proprietário, classificando o veículo como perda total.

O atendimento em caso de pane também é diferente. Se um carro elétrico ficar completamente sem carga durante uma viagem, por exemplo, ele não pode ser rebocado da mesma forma que um veículo a combustão. Em muitos modelos, transportar o automóvel com as rodas no chão pode causar danos aos motores elétricos. Por isso, é necessário utilizar caminhões-plataforma e equipes treinadas, o que aumenta o custo da assistência 24 horas.

Os reparos também são mais complexos. Oficinas que consertam veículos elétricos precisam contar com profissionais capacitados para trabalhar com sistemas de alta tensão e seguir rigorosos protocolos de segurança. Como ainda há poucas oficinas especializadas em comparação com as tradicionais, o custo da mão de obra e das peças costuma ser mais elevado.

Outro ponto que passou a preocupar seguradoras é a infraestrutura de recarga. Equipamentos como carregadores portáteis e estações de carregamento residencial, conhecidas como wallbox, têm sido alvo de furtos e roubos, levando muitas apólices a oferecer coberturas específicas para esses equipamentos.

O risco de incêndio também é analisado de forma diferente. Estudos internacionais mostram que veículos elétricos apresentam menor frequência de incêndios do que carros movidos a gasolina ou diesel. No entanto, quando ocorre um incêndio envolvendo baterias de íons de lítio, o combate às chamas é muito mais complexo por causa do chamado “embalamento térmico”, uma reação que pode fazer a bateria voltar a pegar fogo mesmo após o primeiro combate. Por isso, seguradoras avaliam com atenção as condições das instalações elétricas e do local onde o veículo é carregado, principalmente durante a noite.

Apesar de o seguro dos carros elétricos ainda ser, em muitos casos, mais caro do que o de modelos equivalentes a combustão, especialistas avaliam que essa diferença tende a diminuir nos próximos anos. Com o aumento da frota elétrica, a ampliação da rede de oficinas especializadas, a redução do preço das baterias e o avanço da tecnologia, a expectativa é que os custos de manutenção e de indenizações também diminuam, tornando o seguro mais competitivo.

Enquanto essa evolução não acontece, quem pretende comprar um veículo elétrico deve considerar não apenas o preço do automóvel, mas também os custos de proteção, manutenção e assistência.

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