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11/08/2026
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Alzheimer é um “diabetes tipo 3”? Estudos recentes relacionam as duas doenças

Pesquisadores investigam a relação entre resistência à insulina no cérebro e o desenvolvimento da doença de Alzheimer, uma das principais causas de demência em idosos.

O Alzheimer, uma doença que provoca a perda progressiva da memória e de outras funções do cérebro, vem sendo estudado por pesquisadores como uma possível forma de “diabetes tipo 3”. O termo ainda não é um diagnóstico médico oficial, mas ganhou espaço na ciência porque estudos indicam que alterações no funcionamento da insulina no cérebro podem estar relacionadas ao surgimento e à evolução da doença.

A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas e conhecido principalmente pelo papel de controlar a quantidade de açúcar no sangue. No diabetes tipo 2, o organismo passa a responder menos à ação da insulina, condição chamada de resistência à insulina.

Pesquisas mostram que algo semelhante pode ocorrer no cérebro de algumas pessoas com Alzheimer: as células nervosas deixam de responder adequadamente à insulina, prejudicando processos importantes para a memória, a comunicação entre os neurônios e a sobrevivência das células cerebrais.

Essa relação levou pesquisadores a estudar o Alzheimer como uma possível doença ligada ao metabolismo do cérebro. A hipótese é que a dificuldade de utilização da glicose — principal fonte de energia dos neurônios — pode contribuir para inflamação, danos celulares e acúmulo de proteínas associadas à doença, como as placas de beta-amiloide e os emaranhados de proteína tau.

Ou seja, as pesquisas sobre a chamada “diabetes tipo 3” mostram que o cérebro não funciona isoladamente do restante do organismo. O modo como o corpo processa energia, controla a glicose e combate inflamações pode ter impacto direto na saúde cerebral e na preservação da memória.

A ciência ainda não conseguiu determinar em quanto tempo a resistência à insulina pode provocar alterações ou danos às células nervosas. O processo é lento, progressivo e depende de vários fatores, como idade, genética, controle da glicose, inflamação no organismo e estilo de vida.

O que os estudos indicam é que a resistência à insulina no cérebro pode começar muitos anos antes dos primeiros sintomas do Alzheimer. Algumas pesquisas sugerem que alterações metabólicas cerebrais podem aparecer até décadas antes do diagnóstico da doença.

O mecanismo pode funcionar, de forma simplificada, a partir do momento em que o cérebro fica menos sensível à insulina, os neurônios passam a ter dificuldade para utilizar adequadamente a glicose, que é uma das principais fontes de energia das células cerebrais. A ciência ainda não conseguiu determinar em quanto tempo a resistência à insulina pode provocar alterações ou danos às células nervosas, associadas ao Alzheimer, como beta-amiloide e tau.

Mas é importante esclarecer que a insulina em si não “danifica” o neurônio. O problema está na resistência à insulina, ou seja, quando o sinal da insulina deixa de funcionar corretamente nas células cerebrais. É um processo semelhante ao que ocorre no diabetes tipo 2, mas dentro do cérebro.

Por isso, pesquisadores usam a expressão “diabetes tipo 3” para explicar essa possível ligação entre metabolismo e Alzheimer. Porém, a doença de Alzheimer é muito mais complexa e envolve também fatores genéticos, envelhecimento, inflamação, alterações vasculares e outros mecanismos.

Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Aging Neuroscience analisou essa conexão entre resistência à insulina cerebral e Alzheimer. Os pesquisadores destacaram que alterações na sinalização da insulina no cérebro podem participar dos mecanismos que levam ao declínio cognitivo. A pesquisa reforça a ideia de que o metabolismo cerebral tem papel importante no desenvolvimento da doença.

Publicado em janeiro de 2026 no jornal Alzheimer’s Association, outro estudo amplia as evidências de uma possível ligação entre o metabolismo relacionado ao diabetes e alterações associadas ao Alzheimer.

Outra revisão científica publicada no periódico internacional Journal of Diabetes Research também apontou que pessoas com diabetes tipo 2 apresentam maior risco de desenvolver Alzheimer e outras formas de demência. Os pesquisadores avaliam que a ligação pode estar relacionada a fatores como inflamação crônica, alterações nos vasos sanguíneos e prejuízos no funcionamento das células cerebrais.

Apesar das descobertas, especialistas alertam que Alzheimer e diabetes tipo 2 não são a mesma doença. O termo “diabetes tipo 3” é usado como uma forma de explicar uma possível conexão entre o metabolismo da insulina e o funcionamento do cérebro, mas ainda não faz parte da classificação oficial das doenças.

A prevenção continua sendo uma das principais estratégias estudadas pela ciência. Hábitos como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso, acompanhar os níveis de açúcar no sangue e cuidar da saúde cardiovascular podem reduzir fatores associados ao risco de problemas cognitivos ao longo da vida.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 55 milhões de pessoas vivem atualmente com algum tipo de demência no mundo, e a doença de Alzheimer representa a maioria dos casos. Com o envelhecimento da população, pesquisadores buscam entender melhor como alterações no metabolismo podem abrir novos caminhos para prevenção, diagnóstico e tratamento.

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