Economia
22/04/2026
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Alívio geopolítico reduz pressão nos mercados, mas incerteza ainda dita o ritmo da economia

Economista-chefe da Galápagos Capital Claudio Ferraz ressalta, na coluna Weekly Macro View, que a melhora recente no cenário internacional não elimina riscos e mantém mercados sensíveis a novos desdobramentos.

A semana encerrada em 20 de abril de 2026 trouxe um alívio importante no cenário internacional, mas ainda longe de uma solução definitiva para as tensões no Oriente Médio. O período começou sob forte pressão, com os Estados Unidos impondo um bloqueio naval no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, o que fez o preço do barril tipo Brent ultrapassar os 100 dólares. Ao longo dos dias, no entanto, houve uma mudança de tom. Um cessar-fogo temporário entre Israel e Líbano e a sinalização do Irã de manter o estreito aberto ao comércio ajudaram a acalmar os mercados.

Esse movimento teve impacto imediato. O preço do petróleo caiu quase 9% em um único dia, enquanto as bolsas de valores nos Estados Unidos renovaram máximas históricas. Ainda assim, o ambiente segue instável. No fim da semana, o Irã voltou a ameaçar fechar o Estreito de Ormuz caso o bloqueio americano continue, além de um novo episódio de apreensão de navio iraniano pelos Estados Unidos.

As negociações também seguem incertas, com dúvidas sobre a participação iraniana em novas rodadas de diálogo. Na prática, houve melhora, mas sem resolução. O mercado entra na nova semana reagindo, sobretudo, às notícias mais recentes.

No campo econômico, o principal destaque nos Estados Unidos foi a fala de Christopher Waller, diretor do Federal Reserve (FED), o banco central americano. Ele explicou que a economia enfrenta uma sequência incomum de choques, como tarifas comerciais, guerra e alta de energia. Isoladamente, esses fatores poderiam ter efeito passageiro sobre a inflação, mas, juntos, podem manter os preços elevados por mais tempo.

Waller indicou que o caminho dos juros dependerá da duração desses choques. Se forem temporários, o Fed pode priorizar o crescimento e o emprego. Mas, se persistirem e afetarem as expectativas, os juros podem permanecer altos mesmo com uma economia mais fraca.

No Brasil, a comunicação do Banco Central também foi destaque. O diretor Nilton David afirmou que o momento atual é de ajuste fino da política monetária, e não de início de corte de juros, em um discurso considerado mais suave do que o esperado.

Já o diretor Paulo Pichetti adotou um tom mais cauteloso. Ele reconheceu que a política monetária está funcionando, mas demonstrou preocupação com a piora das expectativas de inflação para os próximos anos. Ao ser questionado sobre mudanças desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), foi direto ao afirmar que o cenário não melhorou.

Os dados econômicos brasileiros mostram uma atividade ainda resistente. O setor de serviços cresceu pouco em fevereiro, mas com destaque positivo para os serviços prestados às famílias. O comércio também veio abaixo das expectativas, mas manteve um ritmo consistente.

Já o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), avançou com força, indicando um início de ano mais aquecido. Por outro lado, as expectativas de inflação continuam subindo. A projeção para 2026, medida pelo relatório Focus, chegou a 4,8%, reforçando o desafio para o controle dos preços.

“Olhando para os próximos dias, os mercados devem continuar atentos principalmente à evolução do conflito no Oriente Médio, especialmente ao futuro do Estreito de Ormuz e ao fim do cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã”, diz Claudio Ferraz.

Nos Estados Unidos, dados de consumo, declarações de autoridades do FED e a temporada de balanços das empresas também entram no radar.

No Brasil, com uma agenda mais leve de indicadores, o cenário externo tende a seguir como principal fator de influência sobre os mercados, explica Ferraz.

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