Saúde
22/04/2026
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Gripe avança no Brasil e acende alerta de risco alto em 14 estados do país

Alta de casos graves ligados à influenza A e ao vírus sincicial respiratório preocupa especialistas, principalmente em relação aos idosos e às crianças.

O Brasil enfrenta um novo alerta na saúde pública em 2026. Dados do mais recente boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz, mostram que os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) seguem em nível de atenção no país. O vírus da gripe, especialmente a influenza A, voltou a ganhar força em várias regiões, enquanto outros vírus respiratórios continuam pressionando o sistema de saúde.

A combinação de múltiplos vírus, com destaque para a cepa influenza A e o VSR, mantém o sistema de saúde em alerta. Para especialistas, o momento exige atenção redobrada, principalmente com a chegada de períodos mais frios, quando a tendência histórica é de aumento das doenças respiratórias.

O avanço mais preocupante aparece entre os extremos de idade. Crianças pequenas e idosos seguem sendo os mais afetados. Entre os menores de 2 anos, houve aumento dos casos graves em quatro das cinco regiões do país — Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Esse crescimento está diretamente ligado ao vírus sincicial respiratório (VSR), uma das principais causas de bronquiolite e internações nessa faixa etária. Já entre idosos, a mortalidade continua mais alta e tem como principais responsáveis a influenza A e a Covid-19.

Os dados nacionais reforçam o tamanho do desafio. Em 2026, já foram registrados mais de 37 mil casos de SRAG, sendo que cerca de 42,5% tiveram confirmação laboratorial para vírus respiratórios. Entre eles, o rinovírus lidera, seguido pela influenza A e pelo VSR. Mas, nas semanas mais recentes, a influenza A voltou a ganhar protagonismo, respondendo por mais de 32% dos casos positivos — um comportamento típico de períodos de maior circulação da gripe.

O número de mortes também chama atenção. Até agora, foram registrados 1.856 óbitos por SRAG no país. Entre os casos com identificação de vírus, a influenza A aparece como principal causa, seguida de covid-19 e rinovírus. Nas últimas semanas, a gripe respondeu por mais de 40% das mortes com diagnóstico confirmado, o que reforça a gravidade do cenário atual.

Geograficamente, o país vive uma situação desigual, mas preocupante. Pelo menos 14 estados seguem em nível de alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento dos casos. Esse grupo inclui unidades das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Outros oito estados ainda estão em níveis elevados, embora já apresentem sinais de estabilização ou queda. Já São Paulo, mesmo com incidência considerada controlada, mostra tendência de crescimento, o que exige vigilância.

O comportamento dos vírus também varia pelo país. Enquanto a influenza A avança em boa parte do Centro-Sul — incluindo estados como Minas Gerais e Rio Grande do Sul —, em algumas áreas do Nordeste e no Rio de Janeiro os casos apresentam queda. Já o VSR continua crescendo de forma disseminada, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, além de vários estados do Norte e Nordeste.

Outro ponto importante é que, apesar da queda consistente dos casos graves de covid-19, outros vírus respiratórios continuam circulando com força. O rinovírus, por exemplo, ainda representa uma parcela significativa das infecções, embora já apresente sinais de desaceleração na maior parte do país.

A situação exige atenção imediata, principalmente em relação à vacinação. Gestantes a partir da 28ª semana, por exemplo, devem se imunizar contra o VSR para proteger os bebês nos primeiros meses de vida. Além disso, a recomendação de especialistas é para os grupos prioritários buscarem a vacina contra a gripe o quanto antes.

A vacinação, a atenção aos sintomas e a busca por atendimento médico ao primeiro sinal de agravamento seguem sendo as principais formas de evitar complicações em um ano que já mostra que a gripe voltou a ser protagonista no Brasil.

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