O mercado de seguros no Brasil deve continuar crescendo em 2026, mesmo diante de um cenário econômico mais difícil. A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) projeta que o setor arrecade cerca de R$ 808 bilhões ao longo do ano, o que representa uma alta de 5,7% em relação a 2025. Esse avanço, ainda que moderado, reforça a importância dos seguros na economia, especialmente em um contexto de juros elevados, inflação controlada e crescimento mais lento do país.
Entre os diferentes tipos de seguro, o de automóvel aparece como um dos destaques tanto nas projeções quanto nos dados mais recentes. A expectativa da CNseg é de crescimento de 7,1% em 2026, impulsionado principalmente pelo aumento na venda de veículos, incluindo modelos híbridos e elétricos. Na prática, os números mais atuais confirmam essa tendência: segundo o boletim da Superintendência de Seguros Privados (Susep), o seguro auto já apresentou alta de 1,84% no primeiro bimestre deste ano, mostrando que a demanda por proteção segue em expansão.
Os dados divulgados pela Susep ajudam a entender como o setor começou 2026. Nos dois primeiros meses do ano, o mercado supervisionado — que inclui seguros, previdência complementar aberta, capitalização e resseguro — movimentou R$ 68,32 bilhões. Apesar de uma leve queda em relação ao mesmo período do ano passado, o volume mostra a relevância do setor, que também devolveu R$ 40,47 bilhões à sociedade em forma de indenizações, benefícios e resgates.
Outro ponto importante trazido pela Susep é a inclusão, pela primeira vez, de dados sobre resseguro, que funciona como uma espécie de “seguro das seguradoras”. No início de 2026, cerca de R$ 5 bilhões em prêmios foram transferidos para resseguradoras, o que ajuda a diluir riscos e garantir a estabilidade do sistema, especialmente em casos de grandes perdas.
Ao olhar para os diferentes segmentos, os seguros de danos e pessoas seguem em crescimento, ainda que em ritmos distintos. Produtos como seguro de vida continuam avançando, enquanto áreas mais sensíveis, como previdência aberta, enfrentam retração, influenciadas por mudanças recentes nas regras e na tributação. Já o seguro de saúde se mantém como um dos principais motores do setor, refletindo a preocupação crescente da população com acesso a serviços médicos.
Na avaliação da CNseg, de acordo com o comunicado divulgado ao mercado, o desempenho do setor está diretamente ligado ao comportamento da economia. Fatores como renda das famílias, nível de emprego e acesso ao crédito influenciam a decisão de contratar seguros. Ainda assim, a entidade destaca que o aumento da conscientização sobre proteção financeira e o avanço tecnológico devem continuar impulsionando o mercado nos próximos anos, mesmo em um ambiente de incertezas.