Seguros
30/06/2026
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Seguro para bicicletas ganha força no Brasil. Debate cresce sobre necessidade em modelos elétricos

Enquanto outros países discutem exigir seguro para bicicletas elétricas, mercado brasileiro cresce impulsionado pelo aumento dos roubos, da frota de e-bikes e do valor dos equipamentos.

A discussão sobre bicicletas elétricas ganhou força em diversos países diante do crescimento desse meio de transporte e do aumento dos acidentes. Em alguns mercados, autoridades avaliam exigir seguro obrigatório, registro e até licenciamento para determinados modelos. No Brasil, porém, o debate segue outro caminho. A prioridade é diferenciar o que é uma bicicleta elétrica e o que deve ser considerado um ciclomotor. Por enquanto, o seguro para bicicletas continua sendo uma contratação opcional.

Mesmo sem obrigação legal, o mercado de seguro para bicicletas vive um período de expansão. O avanço das ciclovias, a verticalização das cidades, os congestionamentos cada vez maiores e a busca por meios de transporte mais sustentáveis fizeram crescer o número de pessoas que utilizam bicicletas e bicicletas elétricas para trabalhar, estudar e se deslocar no dia a dia. Ao mesmo tempo, o aumento dos furtos e roubos despertou o interesse dos proprietários por proteção financeira.

Outro fator que impulsiona esse mercado é o preço das bicicletas. Modelos elétricos e esportivos de alta performance frequentemente custam entre R$ 10 mil e R$ 40 mil, valor suficiente para transformar um roubo em um prejuízo significativo. Além da cobertura contra furto e roubo, muitas apólices também oferecem proteção contra danos acidentais, responsabilidade civil por danos causados a terceiros, cobertura para acessórios e serviços de assistência.

São Paulo concentra o maior mercado de seguro para bicicletas do país e também lidera o número de sinistros. Dados de corretoras apontam que o Estado responde por mais de 21% dos furtos e roubos registrados. O Rio de Janeiro aparece em seguida, com cerca de 12% das ocorrências, principalmente envolvendo bicicletas de alto valor utilizadas em áreas de lazer e na orla. Porto Alegre também figura entre as capitais com maior procura por seguros, acompanhando o crescimento da frota de bicicletas urbanas e esportivas e o aumento dos casos de abordagem a ciclistas em ciclovias e parques.

O preço do seguro varia principalmente conforme o valor da bicicleta e o risco de criminalidade da região onde ela circula. Para uma bicicleta elétrica avaliada em cerca de R$ 15 mil, o prêmio anual costuma variar entre R$ 1 mil e R$ 1,3 mil.

Assim como ocorre no seguro de automóveis, o proprietário também precisa pagar uma franquia em alguns tipos de sinistro. A franquia corresponde à parte do prejuízo que fica sob responsabilidade do segurado. Normalmente, representa entre 10% e 15% do valor da bicicleta. Em uma bicicleta de R$ 20 mil, por exemplo, uma franquia de 10% corresponde a R$ 2 mil.

O seguro Gente Bike oferece cobertura para bicicletas elétricas, responsabilidade civil por danos materiais e corporais causados a terceiros, transporte da bicicleta por empresa especializada após um acidente, além de proteção para acessórios e serviços de assistência que podem ser contratados de acordo com o perfil do ciclista.

O crescimento desse mercado também acompanha uma mudança no perfil dos crimes. Relatórios internacionais mostram que o roubo de bicicletas aumentou com a popularização das esmerilhadeiras portáteis movidas a bateria. Esses equipamentos conseguem cortar cadeados de aço de alta resistência em menos de 20 segundos, facilitando a ação dos criminosos.

Em alguns países, esse cenário já mudou as exigências das seguradoras. Empresas internacionais passaram a exigir cadeados certificados com padrões elevados de segurança. Caso o proprietário utilize um cadeado comum, a indenização pode ser negada, mesmo que a bicicleta esteja segurada.

Outra preocupação crescente envolve as baterias de íons de lítio utilizadas em bicicletas elétricas e patinetes. Equipamentos falsificados, modificados ou carregados com dispositivos incompatíveis podem provocar a chamada fuga térmica, uma reação em cadeia que gera superaquecimento, incêndios e até explosões.

Relatório da organização britânica Electrical Safety First e dados da seguradora QBE, divulgados pelo jornal The Guardian, mostram que os corpos de bombeiros do Reino Unido passaram a atender, em média, um incêndio provocado por baterias de lítio a cada cinco horas. Grande parte desses casos está relacionada a bicicletas elétricas modificadas ilegalmente ou carregadas com equipamentos inadequados.

No Brasil, o seguro para bicicletas permanece facultativo, mas as regras de circulação das bicicletas elétricas e dos ciclomotores ficaram mais rígidas. Desde o início deste ano, veículos elétricos com velocidade máxima de fabricação superior a 32 quilômetros por hora e potência acima de 1 quilowatt passaram a ser classificados como ciclomotores. Nesses casos, a Resolução nº 996/2023, do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), exige registro, emplacamento e que o condutor possua a Autorização para Conduzir Ciclomotor (ACC) ou a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na categoria A.

Já as bicicletas elétricas que possuem potência de até 1 quilowatt e velocidade máxima de até 32 quilômetros por hora continuam dispensadas de emplacamento, registro e habilitação. Os condutores, porém, devem respeitar as regras de circulação e utilizar os equipamentos obrigatórios de segurança, como campainha e sinalização noturna.

Quando o veículo ultrapassa 50 quilômetros por hora de velocidade máxima de fabricação, ele deixa de ser enquadrado como ciclomotor e passa a ser considerado motocicleta, ficando sujeito às mesmas exigências legais aplicadas aos demais veículos dessa categoria.

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