A última semana de junho trouxe mudanças importantes para a economia mundial e brasileira. É o que destaca a coluna semanal Weekly Macro View, produzida pelo economista-chefe da Galapagos Capital, Claudio Ferraz. Segundo a análise, a redução das tensões no Oriente Médio fez o preço do petróleo cair, enquanto, no Brasil, documentos divulgados pelo Banco Central (BC) reforçaram a expectativa de uma possível pausa no ciclo de cortes da taxa básica de juros.
No cenário internacional, a principal novidade foi o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã. As conversas, realizadas na Suíça, abriram canais diretos de diálogo entre os dois países. Além disso, o governo norte-americano concedeu uma licença temporária de 60 dias para que o Irã volte a exportar petróleo.
Essa decisão reduz o risco de interrupções no transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o abastecimento de energia. Embora os conflitos na região ainda exijam atenção, o mercado reagiu de forma positiva.
Como consequência, o petróleo tipo Brent, referência internacional para o preço da commodity, continuou perdendo o chamado “prêmio de risco” — valor adicional incorporado quando há temor de conflitos que possam afetar a oferta do produto. Com isso, o barril voltou a ser negociado perto de US$ 70.
Nos Estados Unidos, outro destaque foi a divulgação do índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), indicador de inflação mais acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano.
Os números mostraram que a inflação ficou um pouco acima do esperado. No entanto, a composição dos dados trouxe sinais considerados mais positivos. Houve leve queda nos preços de bens, enquanto a maior pressão veio do setor de serviços. Além disso, a recente redução do preço do petróleo pode contribuir para desacelerar a inflação nos próximos meses.
Ao mesmo tempo, indicadores mostraram que a renda das famílias e o consumo continuam fortes nos Estados Unidos, demonstrando que a economia segue aquecida.
Na avaliação de Claudio Ferraz, esse cenário leva o Federal Reserve a manter uma postura de cautela. A expectativa principal continua sendo a manutenção dos juros nos níveis atuais. Porém, caso a inflação não recue de forma mais consistente ao longo do segundo semestre, o banco central norte-americano poderá voltar a elevar as taxas de juros ainda este ano.
No Brasil, as atenções ficaram voltadas para a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Relatório de Política Monetária, ambos publicados pelo Banco Central.
Segundo a análise da Weekly Macro View, os documentos mostram uma diferença entre o diagnóstico da economia e a forma como o Banco Central pretende conduzir a política monetária.
Por um lado, o BC reconheceu que a economia brasileira voltou a ganhar força. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi elevada de 1,6% para 2%, em linha com a expectativa da Galapagos Capital. Além disso, o mercado de trabalho permanece aquecido, o desemprego segue próximo das mínimas históricas e a renda dos trabalhadores continua crescendo.
Ao mesmo tempo, o Banco Central ressaltou que a inflação permanece acima do teto da meta e que as expectativas para os próximos anos continuam piorando. Também reconheceu que os riscos para a inflação estão mais concentrados na possibilidade de novas altas de preços.
Mesmo diante desse diagnóstico mais rigoroso, o Comitê optou por adotar um discurso mais moderado. O Banco Central indicou que não pretende reagir automaticamente a choques temporários de preços e passou a trabalhar com diferentes cenários para a trajetória dos juros. Nas projeções oficiais, a convergência da inflação para a meta foi adiada para o primeiro trimestre de 2028.
Para Claudio Ferraz, o cenário ainda favorece uma pausa na redução da taxa básica de juros na reunião de agosto. A combinação de mercado de trabalho forte, consumo aquecido e inflação acima da meta dificulta a continuidade dos cortes.
Ainda assim, o economista observa que o Banco Central deixou a decisão em aberto. Durante a apresentação do Relatório de Política Monetária, dirigentes da instituição evitaram indicar qual será o próximo passo e reforçaram que a decisão dependerá da evolução dos indicadores econômicos.
Nas próximas semanas, o mercado acompanhará novos dados de inflação, atividade econômica e expectativas dos analistas para avaliar se a pausa nos juros será mantida ou se ainda haverá espaço para mais uma redução.
No cenário internacional, as atenções estarão voltadas para os novos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que poderão indicar se a economia continua forte, além do acompanhamento das negociações envolvendo o programa nuclear iraniano e da implementação dos acordos que buscam reduzir as tensões no Oriente Médio.