A semana foi marcada por uma nova onda de incertezas na economia mundial. Depois de um breve período de trégua, o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã voltou a ser rompido, reacendendo as tensões no Oriente Médio. O cenário elevou as preocupações com o fornecimento de petróleo e aumentou a cautela dos mercados financeiros em todo o mundo.
Segundo a análise Weekly Macro View, produzida por Claudio Ferraz, sócio e economista-chefe da Galapagos Capital, novos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz e ações militares dos Estados Unidos contra mais de 80 alvos no Irã fizeram o preço do petróleo Brent subir rapidamente.
O barril, que começou a semana próximo de US$ 70, chegou a se aproximar de US$ 80. Ao longo dos dias, com a retomada das negociações diplomáticas, parte dessa alta foi devolvida, mas o cenário continua considerado frágil.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas de transporte de petróleo do planeta. Qualquer ameaça à navegação na região pode reduzir a oferta da commodity e pressionar os preços internacionais, com reflexos sobre combustíveis e inflação em diversos países.
Além das tensões geopolíticas, outra preocupação do mercado veio dos Estados Unidos. A ata da reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, mostrou que a instituição está mais preocupada com a inflação do que o esperado.
A economia dos Estados Unidos continua forte, impulsionada pelos investimentos em inteligência artificial e pelo consumo, o que reduz a necessidade de cortes nos juros no curto prazo.
Na prática, o mercado passou a considerar até mesmo a possibilidade de novas altas na taxa de juros americana nos próximos meses. Integrantes do Fed afirmaram que as próximas decisões dependerão da evolução da inflação e da atividade econômica, sem assumir antecipadamente qual será o caminho da política monetária.
Outros bancos centrais também chamaram a atenção durante a semana. O Banco Central da Nova Zelândia elevou os juros pela primeira vez em três anos. Na Europa, dirigentes do Banco Central Europeu (BCE) alertaram que a economia global ainda convive com os efeitos das guerras e das tensões internacionais.
No Brasil, o cenário foi mais favorável. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, subiu apenas 0,16% em junho, resultado abaixo das expectativas do mercado. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,6%, explica o economista.
Além do resultado mais baixo, os economistas destacam que a desaceleração ocorreu de forma mais ampla, atingindo diferentes setores da economia, e não apenas os alimentos. Outros indicadores também reforçaram esse movimento, enquanto a atividade econômica mostrou perda gradual de ritmo, embora continue resistente.
Para Claudio Ferraz, esse conjunto de dados fortalece a expectativa de que o Banco Central possa realizar um novo corte na taxa básica de juros em agosto. Ainda assim, ele ressalta que o cenário exige cautela, já que a inflação permanece acima da meta e continua sujeita aos impactos das tensões internacionais.
Nas próximas semanas, três fatores devem concentrar a atenção dos mercados: a evolução do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre o preço do petróleo, as próximas decisões do Federal Reserve sobre os juros nos Estados Unidos e o comportamento da inflação e da atividade econômica no Brasil.