Saúde
14/07/2026
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China aprova primeiro implante cerebral para pessoas com paralisia

Tecnologia permite controlar equipamentos apenas com o pensamento e representa um marco na medicina ao chegar ao uso clínico antes mesmo da Neuralink, empresa de Elon Musk.

A China deu um passo histórico na área da saúde e da tecnologia ao se tornar o primeiro país do mundo a aprovar o uso comercial de um implante cerebral capaz de ajudar pessoas com paralisia a recuperar parte dos movimentos das mãos. O anúncio foi feito, em março, pelo Centro de Excelência em Ciência do Cérebro e Tecnologia de Inteligência (CEBSIT) e marca a saída dessa tecnologia dos laboratórios para o atendimento de pacientes.

Na prática, a Administração Nacional de Produtos Médicos da China autorizou a comercialização de um sistema de Interface Cérebro-Computador (BCI, na sigla em inglês). Essa tecnologia cria uma ligação direta entre o cérebro e um computador, permitindo que comandos emitidos apenas pelo pensamento sejam transformados em ações, como movimentar uma luva robótica ou controlar outros equipamentos.

O dispositivo foi desenvolvido para pessoas com quadriplegia causada por lesões na medula espinhal na região do pescoço. Muitos desses pacientes perdem completamente os movimentos das pernas e das mãos, mas continuam capazes de pensar normalmente. O implante capta os sinais elétricos gerados pelo cérebro quando a pessoa imagina realizar um movimento e envia essas informações para equipamentos que executam a ação.

Os primeiros resultados já mostram impactos importantes na vida dos pacientes. Um dos participantes dos testes clínicos, que não possui qualquer movimento abaixo do pescoço, conseguiu controlar diferentes robôs de assistência apenas com o pensamento. Com essa tecnologia, ele passou a pedir comida por aplicativo e recebê-la com a ajuda de um cão robótico, organizar produtos utilizados em seu trabalho e se locomover pelo bairro com mais autonomia.

O implante é fabricado pela empresa Borui Kang Medical Technology, de Xangai, e foi desenvolvido para restaurar parte dos movimentos e ampliar a independência de pessoas com diferentes tipos de paralisia. Os estudos clínicos mostraram melhora significativa na capacidade de segurar objetos com as mãos, contribuindo para aumentar a qualidade de vida dos pacientes.

O tratamento é destinado, inicialmente, a adultos entre 18 e 60 anos com um tipo específico de lesão na medula espinhal, diagnosticada há pelo menos um ano e com quadro clínico estabilizado. Os pacientes precisam ter perdido os movimentos das mãos, mas ainda conservar parte dos movimentos dos braços.

Embora seja chamado de implante cerebral, o dispositivo chinês é considerado menos invasivo do que outras tecnologias em desenvolvimento. Os eletrodos são posicionados sobre a membrana que protege o cérebro, chamada dura-máter, sem penetrar diretamente no tecido cerebral. Além disso, o sistema funciona sem fios, reduzindo riscos e aumentando o conforto para o paciente.

A novidade também coloca a China à frente da Neuralink, empresa fundada pelo bilionário Elon Musk. Enquanto a companhia norte-americana ainda realiza estudos clínicos para comprovar a segurança e a eficácia de sua tecnologia, o sistema chinês tornou-se o primeiro do mundo autorizado para uso clínico regular, permitindo que hospitais ofereçam o tratamento fora do ambiente experimental.

O avanço representa um marco não apenas tecnológico, mas também regulatório. Até agora, os implantes cerebrais desse tipo estavam restritos a pesquisas. Com a aprovação da China, a interface cérebro-computador deixa de ser apenas uma promessa científica e passa a integrar a prática médica para pessoas com paralisia.

Especialistas avaliam que essa tecnologia deverá evoluir rapidamente nos próximos anos. Além do implante cerebral, ela depende da integração com inteligência artificial, comunicação sem fio de alta velocidade e robôs capazes de executar com precisão os comandos enviados diretamente pelo cérebro. A expectativa é que novas aplicações cheguem gradualmente aos hospitais, ampliando a autonomia e a qualidade de vida de pessoas com limitações motoras graves.

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