Saúde
20/10/2026
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Câncer de mama, o mais frequente entre brasileiras, tem até 95% de chance de cura quando detectado cedo

A doença está entre as principais causas de morte por câncer entre mulheres no Brasil. No Outubro Rosa, o desafio é ampliar o acesso à mamografia e descobrir os tumores antes que avancem.

O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras, depois dos tumores de pele não melanoma. O Brasil deve registrar cerca de 78,6 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Isso representa aproximadamente 30% dos novos casos de câncer entre as mulheres no país. Os números mostram a dimensão do problema e a importância de descobrir a doença o mais cedo possível. Em alguns casos, quando a doença é diagnosticada em estágio inicial, as chances de cura podem chegar a 95%.

O resultado depende de fatores como o tipo de tumor e o estágio em que a doença é identificada. Por esse motivo, durante o Outubro Rosa – campanha de conscientização sobre o câncer de mama –, a mamografia ganha destaque por sua capacidade de identificar alterações nas mamas antes mesmo que possam ser percebidas pelo toque.

O objetivo da mamografia é encontrar possíveis sinais da doença antes que provoquem sintomas, permitindo que a investigação e o tratamento comecem mais cedo. O acesso regular ao exame pode fazer diferença entre descobrir um tumor ainda localizado e receber o diagnóstico quando a doença já se espalhou.

Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde ampliou a faixa etária recomendada para o rastreamento de rotina pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A orientação passou a contemplar mulheres de 50 a 74 anos, com mamografia a cada dois anos.

Essa recomendação vale para mulheres que não apresentam sinais ou sintomas suspeitos. Quem está fora dessa faixa também pode fazer o exame pelo SUS, conforme avaliação e orientação de um profissional de saúde.

Mulheres que percebem caroços, mudanças na pele, retração do mamilo ou secreção inesperada devem procurar atendimento médico sem esperar pela idade recomendada para o rastreamento. Mesmo que a mamografia anterior tenha apresentado resultado normal, sintomas novos precisam ser avaliados.

A recomendação do governo é diferente da adotada por algumas sociedades médicas. A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) defendem a mamografia anual a partir dos 40 anos.

A divergência está relacionada à avaliação dos benefícios e dos riscos do rastreamento em diferentes idades. Em mulheres mais jovens, por exemplo, o tecido mamário costuma ser mais denso, o que pode dificultar a identificação de alterações.

Além disso, alguns resultados suspeitos acabam levando a exames complementares e biópsias que depois descartam a presença de câncer. Por isso, é importante conhecer as recomendações e conversar com um profissional de saúde sobre a situação individual.

O problema no Brasil não é apenas definir a idade ideal para começar a fazer a mamografia. Também é preciso garantir que as mulheres consigam marcar o exame, recebam os resultados e tenham acesso rápido aos procedimentos necessários quando aparece alguma alteração suspeita.

Quando o diagnóstico demora, a doença pode avançar e exigir tratamentos mais complexos, com maior impacto físico e emocional. A demora também pode elevar os custos do atendimento e reduzir as opções de tratamento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca a importância de ampliar a cobertura do rastreamento para reduzir as mortes por câncer de mama. Uma referência frequentemente utilizada é alcançar pelo menos 70% da população-alvo em programas organizados, com o objetivo de aumentar o impacto na mortalidade.

Mas, não basta disponibilizar mamógrafos: é necessário que as mulheres sejam informadas, consigam realizar o exame na frequência recomendada e tenham acesso à investigação e ao tratamento quando necessário.

A experiência de outros países ajuda a entender o que pode ser feito. No Reino Unido, na Suécia e no Canadá, programas públicos de rastreamento oferecem mamografias sem cobrança direta para as mulheres que fazem parte da população atendida.

Esses programas também organizam o acesso ao exame, em vez de depender exclusivamente de que cada paciente procure espontaneamente um serviço de saúde. A cobertura pode ultrapassar 70% em programas bem estruturados, embora os resultados variem de acordo com o país, a região e a faixa etária atendida.

No Reino Unido, o programa público NHS Breast Screening Programme convida mulheres de 50 a 71 anos para fazer mamografia a cada três anos, sem custo no momento do atendimento. Na Suécia, a convocação costuma abranger mulheres de 40 a 74 anos, com intervalos que variam conforme as regras regionais, geralmente entre 18 e 24 meses.

Na maior parte das regiões suecas, o exame também é oferecido sem cobrança direta. No Canadá, os programas são organizados pelas províncias e territórios, com diferenças nas idades de início e nos intervalos entre os exames. Em várias localidades, mulheres a partir dos 40 ou 50 anos podem participar do rastreamento gratuito, conforme as regras locais.

Esses exemplos mostram que a organização do serviço é tão importante quanto a oferta do exame. Convocar as mulheres, facilitar o agendamento e acompanhar os resultados ajuda a aumentar a participação nos programas de rastreamento. Estudos internacionais indicam que programas bem estruturados podem contribuir para reduzir a mortalidade por câncer de mama.

A redução de cerca de 35% citada em algumas análises, porém, não é um resultado garantido em todos os países ou para todas as mulheres: depende da cobertura, da qualidade do programa, do acesso ao tratamento e das características da população.

No Brasil, a dificuldade de acesso continua sendo um obstáculo. Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, menos de 25% da população-alvo realiza a mamografia periodicamente dentro do intervalo recomendado, de acordo com os dados citados para essa cobertura.

Em muitos locais, a mulher precisa procurar uma unidade de saúde da rede pública e solicitar o exame, sem receber uma convocação automática. A disponibilidade de mamógrafos, as diferenças entre regiões e a demora para conseguir agendamento também dificultam o atendimento.

A dependência do SUS torna esse cenário ainda mais importante. Cerca de 75% da população brasileira depende exclusivamente do sistema público para ter acesso à saúde, segundo estimativas frequentemente utilizadas sobre a cobertura assistencial no país.

A capacidade de oferecer mamografias em tempo adequado é fundamental para que o diagnóstico precoce não dependa da renda da paciente ou do lugar onde ela mora. Embora o exame seja gratuito no SUS, o tempo de espera e a facilidade para conseguir uma vaga variam de uma localidade para outra.

Na rede particular, o preço também pode pesar no orçamento. Uma mamografia digital feita por quem paga diretamente à clínica pode custar entre R$ 100 e R$ 350, dependendo da região, do estabelecimento e da tecnologia utilizada. A tomossíntese, conhecida como mamografia 3D, pode ter preço diferente do exame convencional.

Para quem tem plano de saúde, a cobertura da mamografia segue as regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), incluindo os critérios de indicação e de cobertura previstos na regulamentação. É importante consultar o plano para confirmar as condições de atendimento.

Mesmo quando o exame custa R$ 150 ou R$ 200, o valor pode representar uma barreira para mulheres de baixa renda, principalmente quando há necessidade de realizar outros procedimentos para investigar um resultado suspeito. Por isso, ampliar a oferta pelo SUS e reduzir o tempo entre o exame, a confirmação do diagnóstico e o início do tratamento são medidas fundamentais para diminuir as desigualdades no acesso à saúde.

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