Seguros
23/06/2026
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Avança a mobilização por seguro catástrofe e medidas de proteção climática

Seguradoras, entidades e órgãos públicos aceleram ações após a confirmação do El Niño e discutem novas formas de proteger a população contra enchentes, deslizamentos e outros desastres que podem se tornar mais frequentes nos próximos anos.

Nas últimas duas semanas, a preocupação com eventos climáticos extremos passou a ocupar um espaço maior na agenda do governo e do setor de seguros. A confirmação do fenômeno El Niño e a possibilidade de um episódio ainda mais intenso nos próximos meses levaram à adoção de medidas de prevenção e ao avanço das discussões sobre o chamado seguro catástrofe, uma modalidade voltada a ampliar a proteção financeira da população diante de enchentes, deslizamentos e outros desastres naturais.

O movimento envolve diferentes frentes. O governo federal anunciou a criação de uma Sala de Situação Interministerial para monitorar riscos e coordenar respostas a possíveis emergências climáticas. Ao mesmo tempo, a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) reforçou os trabalhos de um grupo criado para estudar a implantação de um modelo de seguro catástrofe no país. Em São Paulo, o Sindicato das Seguradoras de São Paulo (Sindseg-SP) apresentou um estudo sobre os riscos climáticos da capital e firmou parceria com a prefeitura para ampliar ações de prevenção e adaptação.

A discussão sobre o seguro catástrofe ganhou força porque os desastres naturais têm provocado prejuízos cada vez maiores. Em muitas situações, famílias perdem a casa, móveis e outras fontes de renda, mas não possuem proteção financeira suficiente para reconstruir a vida. É justamente essa lacuna que o novo modelo de seguro pretende diminuir.

Para isso, a Susep instituiu, por meio da Portaria nº 8.432, publicada em 2025, o Grupo de Trabalho Seguros Catástrofe. O grupo tem caráter consultivo e reúne representantes do governo, do mercado segurador e especialistas. O objetivo é estudar formas de tornar esse tipo de cobertura mais acessível e eficiente, reduzindo a chamada lacuna de proteção, que representa a diferença entre os prejuízos causados por um desastre e o valor efetivamente coberto pelos seguros existentes.

A proposta também busca ampliar o acesso das famílias de baixa renda a algum tipo de proteção financeira. A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) defende a criação de um modelo assistencial voltado especialmente para pessoas que vivem em áreas mais vulneráveis a enchentes e deslizamentos.

O debate ganhou novo impulso após a confirmação do El Niño pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (National Oceanic and Atmospheric Administration – NOAA). O fenômeno é provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e altera os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta.

Segundo estudo divulgado pela empresa de consultoria meteorológica Nottus, os efeitos do El Niño devem influenciar o clima brasileiro nos próximos meses. Embora o inverno tenha começado com temperaturas mais baixas, a tendência é que o frio intenso seja menos frequente a partir de agosto. Mais do que isso, especialistas alertam para a possibilidade de aumento de eventos climáticos extremos, como chuvas intensas, enchentes e períodos de seca mais severos.

Com base em dados da NOAA, a Nottus, durante entrevista à Agência Brasil, que existe uma grande chance de o fenômeno se intensificar entre setembro deste ano e fevereiro de 2027, atingindo um nível considerado muito forte, situação que vem sendo chamada informalmente de “Super El Niño”. Nesse cenário, os riscos para diversas regiões do país podem aumentar significativamente.

Preocupado com esses impactos, o governo federal anunciou, em 18 de junho, a instalação da Sala de Situação Interministerial. A estrutura é coordenada pela Casa Civil e conta com a participação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). A missão é monitorar a evolução do fenômeno, antecipar riscos e coordenar ações de prevenção e resposta a possíveis desastres.

Em São Paulo, o Sindseg-SP, em parceria com a consultoria global de riscos e resseguros Guy Carpenter, apresentou um estudo inédito sobre riscos climáticos e seus impactos na cidade. O levantamento reúne informações sobre as áreas mais expostas a eventos extremos e pretende ajudar o poder público a definir estratégias de adaptação e prevenção.

Durante o evento, a entidade também anunciou uma parceria com a Prefeitura de São Paulo para ampliar a preparação da capital diante dos efeitos das mudanças climáticas, que podem resultar em enchentes, desabamentos de encostas, secas prolongadas e aumento dos focos de incêndio.

Especialistas avaliam que as medidas anunciadas nas últimas semanas podem representar uma mudança importante na forma como o país enfrenta os desastres naturais. A tendência é que governo, seguradoras e municípios passem a investir cada vez mais em prevenção e proteção financeira, preparando a população para um cenário em que os eventos climáticos extremos poderão ser mais frequentes e causar impactos cada vez maiores.

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