Quem são os brasileiros que contratam seguros? Um levantamento inédito da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) ajuda a responder essa pergunta e mostra que o consumidor está concentrado principalmente na Região Sudeste e na classe média. Ao mesmo tempo, o estudo aponta um grande potencial de crescimento, especialmente nos seguros de automóveis e residências, entre moradores de periferias e favelas.
Essas comunidades movimentam cerca de R$ 300 bilhões por ano e vêm demonstrando interesse cada vez maior pelo tema. Segundo a pesquisa, muitos já reconhecem a importância do seguro para enfrentar situações que podem comprometer o orçamento familiar, como roubo de celular, motocicleta ou carro, quebra de equipamentos usados no trabalho, perda de renda em caso de doença ou incapacidade para trabalhar e despesas com funeral.
Durante o evento realizado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), em 14 de julho, a diretora técnica da autarquia, Júlia Normande Lins, afirmou que o mercado e o regulador precisam compreender melhor a realidade dos consumidores.
Segundo ela, a educação financeira é importante, mas, sozinha, não resolve o problema. “O consumidor precisa perceber que aquele produto foi pensado para sua realidade e que efetivamente entregará proteção quando ele precisar”, afirmou.
O levantamento foi elaborado pela Comissão de Inteligência de Mercado da CNseg com informações fornecidas por seguradoras que representam cerca de 56% do mercado analisado. Desse total, 76% dos dados correspondem ao segmento de Danos e Responsabilidades e 24% ao segmento de Capitalização.
No seguro de automóveis, a pesquisa mostra que a maior parte dos clientes pertence à classe C, com renda mensal entre R$ 5.648 e R$ 14.120. Esse grupo representa 41% dos segurados. Outros 24% estão na classe B e 23% na classe D, com renda entre R$ 2.824 e R$ 5.648.
Ao cruzar essas informações com dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), a CNseg constatou que apenas 29% da frota brasileira possui seguro. Em dezembro de 2024, o país tinha cerca de 63,3 milhões de automóveis, mas somente aproximadamente 18 milhões estavam protegidos por uma apólice.
A Região Sudeste concentra 53% dos consumidores de seguro de automóveis. Em seguida aparecem as regiões Sul, com 16%, e Centro-Oeste, com 15%. Segundo a CNseg, essa distribuição acompanha a concentração da frota de veículos, mas também reflete diferenças de renda e de acesso ao crédito entre as regiões.
O estudo mostra ainda que quase metade dos veículos segurados, 46%, vale até R$ 70 mil. Outros 27% têm valor entre R$ 71 mil e R$ 100 mil.
O cenário é ainda mais desafiador no seguro residencial. De acordo com estimativas da CNseg, baseadas em dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), apenas 17% das residências brasileiras possuem esse tipo de proteção. Entre os clientes, 31% pertencem à classe C, 27% à classe D e 21% à classe B.
Outro estudo apresentado durante o evento, realizado pelo Instituto Locomotiva, reforça que existe demanda por seguros nas comunidades periféricas. A pesquisa “Expansão de Seguros Inclusivos em Comunidades Periféricas” mostrou que 54% dos entrevistados já procuraram informações sobre seguros. Outros 31% disseram que nunca buscaram esse tipo de informação, mas gostariam de conhecer melhor os produtos disponíveis.
A pesquisa também identificou os principais obstáculos para ampliar a contratação de seguros. Entre eles estão a percepção de que o produto é caro, a desconfiança de que a indenização será paga quando o consumidor precisar e a falta de produtos e de uma comunicação que reflitam os riscos enfrentados no dia a dia dessas famílias.