Seguros
21/07/2026
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Quem contrata seguro no Brasil e onde o mercado ainda pode crescer?

Estudo revela quem contrata seguros no país e mostra que moradores de periferias demonstram interesse crescente pela proteção financeira, mas ainda enfrentam barreiras para contratar.

Quem são os brasileiros que contratam seguros? Um levantamento inédito da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) ajuda a responder essa pergunta e mostra que o consumidor está concentrado principalmente na Região Sudeste e na classe média. Ao mesmo tempo, o estudo aponta um grande potencial de crescimento, especialmente nos seguros de automóveis e residências, entre moradores de periferias e favelas.

Essas comunidades movimentam cerca de R$ 300 bilhões por ano e vêm demonstrando interesse cada vez maior pelo tema. Segundo a pesquisa, muitos já reconhecem a importância do seguro para enfrentar situações que podem comprometer o orçamento familiar, como roubo de celular, motocicleta ou carro, quebra de equipamentos usados no trabalho, perda de renda em caso de doença ou incapacidade para trabalhar e despesas com funeral.

Durante o evento realizado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), em 14 de julho, a diretora técnica da autarquia, Júlia Normande Lins, afirmou que o mercado e o regulador precisam compreender melhor a realidade dos consumidores.

Segundo ela, a educação financeira é importante, mas, sozinha, não resolve o problema. “O consumidor precisa perceber que aquele produto foi pensado para sua realidade e que efetivamente entregará proteção quando ele precisar”, afirmou.

O levantamento foi elaborado pela Comissão de Inteligência de Mercado da CNseg com informações fornecidas por seguradoras que representam cerca de 56% do mercado analisado. Desse total, 76% dos dados correspondem ao segmento de Danos e Responsabilidades e 24% ao segmento de Capitalização.

No seguro de automóveis, a pesquisa mostra que a maior parte dos clientes pertence à classe C, com renda mensal entre R$ 5.648 e R$ 14.120. Esse grupo representa 41% dos segurados. Outros 24% estão na classe B e 23% na classe D, com renda entre R$ 2.824 e R$ 5.648.

Ao cruzar essas informações com dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), a CNseg constatou que apenas 29% da frota brasileira possui seguro. Em dezembro de 2024, o país tinha cerca de 63,3 milhões de automóveis, mas somente aproximadamente 18 milhões estavam protegidos por uma apólice.

A Região Sudeste concentra 53% dos consumidores de seguro de automóveis. Em seguida aparecem as regiões Sul, com 16%, e Centro-Oeste, com 15%. Segundo a CNseg, essa distribuição acompanha a concentração da frota de veículos, mas também reflete diferenças de renda e de acesso ao crédito entre as regiões.

O estudo mostra ainda que quase metade dos veículos segurados, 46%, vale até R$ 70 mil. Outros 27% têm valor entre R$ 71 mil e R$ 100 mil.

O cenário é ainda mais desafiador no seguro residencial. De acordo com estimativas da CNseg, baseadas em dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), apenas 17% das residências brasileiras possuem esse tipo de proteção. Entre os clientes, 31% pertencem à classe C, 27% à classe D e 21% à classe B.

Outro estudo apresentado durante o evento, realizado pelo Instituto Locomotiva, reforça que existe demanda por seguros nas comunidades periféricas. A pesquisa “Expansão de Seguros Inclusivos em Comunidades Periféricas” mostrou que 54% dos entrevistados já procuraram informações sobre seguros. Outros 31% disseram que nunca buscaram esse tipo de informação, mas gostariam de conhecer melhor os produtos disponíveis.

A pesquisa também identificou os principais obstáculos para ampliar a contratação de seguros. Entre eles estão a percepção de que o produto é caro, a desconfiança de que a indenização será paga quando o consumidor precisar e a falta de produtos e de uma comunicação que reflitam os riscos enfrentados no dia a dia dessas famílias.

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