Países como Itália, Austrália, Canadá e França já emitiram alertas depois que autoridades de saúde registraram casos de intoxicação do fígado associados ao uso de suplementos de cúrcuma. Na primeira semana de março, no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou um alerta de farmacovigilância sobre medicamentos e suplementos alimentares que contêm a substância, conhecida popularmente como açafrão-da-terra.
A decisão da agência foi tomada após investigações internacionais identificarem casos raros, mas potencialmente graves, de inflamação e danos ao fígado relacionados ao consumo de cápsulas ou extratos concentrados de cúrcuma. Segundo a autoridade sanitária, o problema está associado principalmente a formulações desenvolvidas para aumentar a absorção da curcumina — o principal composto ativo da planta — em níveis muito superiores aos encontrados no consumo normal da especiaria.
O alerta brasileiro segue uma tendência observada em outros países. Na França, por exemplo, a Agência Nacional de Segurança Sanitária da Alimentação, do Meio Ambiente e do Trabalho registrou dezenas de relatos de efeitos adversos ligados ao consumo de suplementos que contêm cúrcuma ou curcumina, incluindo episódios de hepatite.
Apesar do alerta da Anvisa, especialistas destacam que a cúrcuma continua sendo considerada segura quando utilizada na alimentação cotidiana. O pó utilizado na culinária não faz parte do alerta, porque não há evidências de risco associadas ao consumo da especiaria em pratos e temperos. A diferença está na concentração. Em suplementos e medicamentos, a substância aparece em doses muito mais altas e com tecnologias que aumentam sua absorção pelo organismo.
A cúrcuma é uma raiz originária da Ásia e se tornou popular no mundo inteiro por seus potenciais benefícios à saúde. Seu principal composto, a curcumina, tem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, o que explica por que muitas pessoas a utilizam como aliada no cuidado com o organismo. Estudos associam o consumo da substância à redução de processos inflamatórios, ao apoio ao sistema imunológico e até à melhora de sintomas digestivos e articulares.
Esse conjunto de possíveis benefícios transformou a cúrcuma em um dos suplementos naturais mais consumidos em vários países. Em muitas culturas, especialmente na culinária asiática, ela também é usada há séculos como tempero e como ingrediente de preparações tradicionais voltadas ao bem-estar.
O alerta das autoridades sanitárias não significa que a substância seja perigosa, mas chama a atenção para o uso sem orientação de suplementos concentrados. A recomendação é que consumidores estejam atentos a sinais que possam indicar problemas no fígado após o uso desses produtos, como pele ou olhos amarelados, urina muito escura, cansaço intenso sem causa aparente, náuseas ou dores abdominais.
Caso esses sintomas apareçam, a orientação é interromper o uso do produto e procurar avaliação médica. No Brasil, suspeitas de reações adversas relacionadas a medicamentos podem ser registradas no sistema VigiMed, enquanto casos envolvendo suplementos alimentares podem ser informados por meio do e-Notivisa.
Como medida preventiva, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária também determinou a atualização das bulas de medicamentos que contêm cúrcuma, como Motore e Cumiah, com a inclusão de novos avisos de segurança. No caso dos suplementos, a agência informou que irá reavaliar o uso da substância e exigir advertências obrigatórias nos rótulos para alertar os consumidores sobre a possibilidade de efeitos adversos em casos raros.