Seguros
17/03/2026
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Com as mudanças climáticas repentinas, hora de rever o seguro auto para evitar dor de cabeça

Proteção contra enchentes e quedas de árvores depende do tipo de cobertura contratada e pode fazer diferença entre indenização ou perda total do veículo.

Com o clima cada vez mais imprevisível nas cidades, enchentes, quedas de árvores, alagamentos por falta de escoamento da água, a preocupação de quem tem carro só aumenta. Especialmente em grandes centros urbanos, é importante prestar atenção aos detalhes do seguro automóvel.

Se o veículo fica guardado em subsolos ou garagens de prédios que costumam inundar, se você mora em regiões litorâneas sujeitas a ressacas ou circula por ruas com muitas árvores e postes que podem cair durante temporais. O mesmo vale para vias que alagam facilmente por falta de escoamento de água pelas sarjetas.

Para evitar prejuízos em situações como essas, especialistas recomendam ler a apólice com atenção e evitar seguros muito básicos, que cobrem apenas roubo, furto e colisão. Em caso de enchente, quando o motor pode fundir e a parte elétrica ser destruída, o prejuízo de uma perda total pode acabar sendo totalmente do proprietário.

O seguro cobre esse tipo de dano quando o carro é tomado pela água desde que o segurado tenha contratado a chamada cobertura compreensiva, também conhecida como cobertura compreensiva. Essa modalidade inclui danos provocados por fenômenos da natureza, como enchentes, inundações, quedas de árvores e granizo. Se o custo do reparo ultrapassar 75% do valor do veículo, a seguradora paga a indenização integral com base na Tabela Fipe.

A cobertura compreensiva costuma ser mais cara e geralmente fica entre 4% e 8% do valor do veículo. Ainda assim, para quem mora em áreas de risco ou trafega por regiões que alagam rapidamente, ela garante indenização em casos de perda total provocada por enchente, quando motor e sistemas elétricos ficam comprometidos.

Diferentemente do que muita gente imagina, as seguradoras normalmente não tratam enchente como uma cláusula separada que precisa ser contratada à parte. Esse risco costuma fazer parte do pacote da cobertura compreensiva. Mesmo assim, com as novas diretrizes da Superintendência de Seguros Privados e a entrada em vigor da nova Lei de Seguros em 2026, a transparência passou a ser obrigatória. Por isso, é importante verificar se esses riscos não aparecem como exclusões no contrato.

Na hora de contratar, é fundamental observar se a apólice menciona a cobertura compreensiva, que inclui danos provocados por fenômenos da natureza. Isso abrange alagamentos e inundações, inclusive quando o carro está em subsolos ou garagens que inundam; ressacas em regiões litorâneas; queda de objetos como árvores, muros e postes derrubados por ventos fortes; além de granizo e até terremotos, raros no Brasil, mas também previstos em algumas apólices.

Mesmo com o termo cobertura compreensiva presente no contrato, vale conferir se a submersão em água doce está explicitamente garantida no texto da apólice.

O segurado também precisa informar corretamente se mora em área sujeita a enchentes ou outros riscos. A omissão dessa informação pode gerar problemas no momento de acionar o seguro. Outro ponto importante é verificar se o guincho da assistência 24 horas cobre remoção em áreas inundadas, já que em muitos casos o reboque comum não consegue acessar locais com lama ou água acumulada.

É importante destacar que a indenização pode ser negada em situações consideradas imprudentes, como omitir informações sobre riscos na região onde o carro fica ou circula. As seguradoras também analisam as circunstâncias do incidente. Se o veículo estava estacionado e a água subiu, a cobertura normalmente é garantida.

Por outro lado, se o motorista tentou atravessar uma rua já alagada e o motor aspirou água, provocando o chamado calço hidráulico, a seguradora pode alegar que houve aumento deliberado do risco e recusar o pagamento da indenização.

Em situações como essa, a orientação é nunca tentar ligar o carro após ele ter sido inundado, pois isso pode fundir o motor e até invalidar a cobertura do seguro. O ideal é registrar fotos do local, mostrar até onde a água chegou no veículo e acionar imediatamente a assistência 24 horas.

Além da cobertura compreensiva, vale prestar atenção também à cláusula de higienização. Muitas pessoas esquecem desse detalhe. Se a água entrar no carro sem causar perda total, a limpeza profissional e a substituição de feltros e estofados podem custar caro. Por isso, é importante verificar se o seguro cobre esse tipo de serviço após um alagamento.

Outro ponto relevante é o limite de quilômetros do guincho incluído na assistência 24 horas. Em áreas de risco ou regiões litorâneas, pode ser necessário remover o veículo para locais mais distantes ou de difícil acesso, o que exige um raio de cobertura maior.

Tragédias climáticas recentes, como as enchentes no Rio Grande do Sul e os temporais históricos que atingiram a Zona da Mata de Minas Gerais no início de 2026, deixaram um rastro de veículos submersos e perdas totais. Em cidades como Juiz de Fora, que registrou o maior volume de chuva em 40 anos, e Ubá, muitos carros ficaram destruídos pela água.

No estado do Rio de Janeiro, municípios como São João de Meriti também enfrentaram inundações que paralisaram a rotina urbana, reforçando que o risco não está restrito a uma única região do país.

Diante desse cenário, quem tem um carro muito antigo, com mais de 15 anos, garagem fechada em casa e no trabalho e mora em área alta, sem histórico de alagamentos, pode considerar suficiente um seguro automóvel básico.

Mas para quem usa o carro diariamente, vive em regiões litorâneas ou em cidades com infraestrutura precária de drenagem, ou ainda não teria recursos imediatos para comprar outro veículo em caso de perda total, a atenção deve se voltar para a cobertura compreensiva.

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