Saúde
07/04/2026
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Uso excessivo de produtos antibacterianos pode tornar bactérias mais resistentes, alerta estudo

Pesquisa indica que lenços desinfetantes e sprays de limpeza contribuem para o surgimento de bactérias resistentes e difíceis de eliminar. Água e sabão tradicional são mais eficientes.

O uso frequente de produtos antibacterianos no dia a dia, como lenços desinfetantes, sprays de limpeza e sabonetes especiais, pode estar contribuindo para o surgimento de bactérias mais resistentes e difíceis de eliminar. O alerta é de um estudo liderado pela pesquisadora Rebecca E. Fuoco, da Johns Hopkins University.

Em vez de lavar as mãos com água e sabão, que já garantem uma limpeza eficiente, muitas pessoas passaram a usar, por praticidade, produtos antibacterianos. Esses itens contêm biocidas, substâncias químicas que eliminam microrganismos. Depois do uso na pia, no chuveiro ou no vaso sanitário, esses resíduos seguem pelo esgoto até as estações de tratamento.

Parte da substância biocida chega aos rios e pode atingir o solo e até plantas. O problema é que os biocidas eliminam as bactérias mais fracas, mas permitem que as mais resistentes sobrevivam, favorecendo o surgimento de microrganismos difíceis de combater.

Essas substâncias não desaparecem completamente e continuam presentes no ambiente. Quando descartadas de forma contínua, acabam se acumulando em diferentes locais. Segundo os pesquisadores, hoje já é possível encontrar biocidas no esgoto, em águas superficiais, no solo, em sedimentos e até em alimentos em várias partes do mundo.

Esse cenário cria condições ideais para que as bactérias se adaptem e se tornem cada vez mais resistentes, agravando um problema que já preocupa autoridades de saúde em nível global.

O estudo Targeting Biocide Overuse in Consumer Products Will Strengthen Global AMR Action, publicado em 31 de março de 2026 na revista científica Environmental Science & Technology, mostra que esse processo está ligado à resistência antimicrobiana (AMR, sigla em inglês para resistência a antimicrobianos). Esse fenômeno ocorre quando bactérias deixam de responder a medicamentos, tornando infecções mais difíceis de tratar.

De acordo com a pesquisadora, o contato frequente com esses produtos pode fazer com que as bactérias também se tornem resistentes a antibióticos. Isso acontece por um mecanismo chamado resistência cruzada, quando a exposição a uma substância aumenta a capacidade de sobrevivência dos microrganismos diante de diferentes tratamentos.

A autora conclui que o problema pode ser reduzido com medidas simples, sem necessidade de tecnologia avançada. A principal mudança está nos hábitos das pessoas e no uso mais consciente desses produtos. Para a rotina diária, água e sabão comum já são suficientes para garantir a higiene. Instituições como a Organização Mundial da Saúde e os Centers for Disease Control and Prevention não recomendam o uso rotineiro de produtos antibacterianos.

Quando a desinfecção for realmente necessária, a orientação é optar por alternativas como álcool ou peróxido de hidrogênio (água oxigenada), como desinfetantes químicos, têm menor potencial de estimular a resistência das bactérias e são igualmente eficazes.

Entre 1990 e 2021, infecções resistentes a medicamentos causaram mais de 1 milhão de mortes por ano no mundo. A estimativa é que esse número possa chegar a 2 milhões anuais até 2050, caso o problema continue avançando.

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