A semana encerrada em 6 de abril de 2026 foi marcada por forte instabilidade no cenário internacional, com reflexos diretos na economia global e também no Brasil. Na coluna semanal, chamada Weekly Macro View, produzida pela Galapagos Capital e divulgada pela Gente Seguradora, o economista-chefe Claudio Ferraz explica que o principal fator de tensão veio da escalada do conflito no Oriente Médio, especialmente após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a possibilidade de intensificar ataques contra a infraestrutura energética do Irã.
Apesar de sinais momentâneos de possível trégua, novas ameaças reacenderam o clima de incerteza, sobretudo diante do impasse envolvendo o Estreito de Ormuz — uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
Segundo Ferraz, na prática, o que se observa não é uma reabertura total da passagem, mas um controle seletivo por parte do Irã, funcionando como uma espécie de “pedágio” sobre o fluxo de navios, o que mantém elevados os riscos para o abastecimento global de energia.
Esse ambiente geopolítico mais tenso ganha ainda mais importância quando combinado com dados econômicos recentes.
Nos Estados Unidos, a economia segue mostrando força: o relatório de empregos (Payroll) de março registrou a criação de cerca de 180 mil vagas, enquanto as vendas no varejo e a atividade industrial também vieram acima do esperado. Por outro lado, a inflação continua sendo uma preocupação central.
O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, reforçou que os juros devem permanecer elevados por mais tempo, destacando que a inflação segue acima da meta há anos. Na mesma linha, dirigentes do Fed indicam cautela, com possibilidade de ajustes na taxa de juros dependendo da evolução dos preços e do mercado de trabalho.
No Brasil, o cenário também é de economia aquecida, mas com desafios crescentes. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram a criação de mais de 250 mil vagas em fevereiro, enquanto a produção industrial avançou pelo segundo mês consecutivo. No entanto, as projeções de inflação seguem em alta.
O Boletim Focus, relatório semanal do Banco Central do Brasil (BC), elevou a estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026, indicando uma inflação de 4,36%, acima do centro da meta. Para o presidente do BC, Gabriel Galípolo, a política monetária — que é o controle dos juros para conter a inflação — já está surtindo efeito, mas deve continuar sendo conduzida com cautela e sem mudanças bruscas.
Claudio Ferraz destaca que o grande desafio é justamente a combinação de fatores: uma economia ainda forte, com desemprego baixo e renda em crescimento, ao mesmo tempo em que choques externos, como a alta da energia causada pelo conflito, pressionam os preços.
Esse cenário aumenta o risco de uma inflação mais persistente, exigindo atenção redobrada das autoridades. Para as próximas semanas, o economista aponta que os mercados devem reagir principalmente a três fatores: a evolução do conflito no Oriente Médio, os novos dados de inflação — tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil — e a comunicação dos bancos centrais, que será decisiva para indicar os próximos passos na condução dos juros.