A próxima quarta-feira concentra atenções no Brasil e no exterior. No mesmo dia, os bancos centrais dos Estados Unidos e do Brasil anunciam suas decisões sobre as taxas de juros, um dos principais instrumentos usados para controlar a inflação e estimular ou frear a economia. A expectativa predominante do mercado é de manutenção das taxas nos dois países, mas o tom das mensagens que acompanharão essas decisões pode indicar os próximos passos.
Na semana passada, o foco global esteve na reunião do Fórum Econômico Mundial, em Davos. O tema que mais chamou atenção foi a Groenlândia, após declarações do ex-presidente americano Donald Trump. No início do encontro, Trump sinalizou que considera a ilha estratégica para a segurança nacional dos Estados Unidos. Ao longo da semana, porém, o discurso foi suavizado.
Trump indicou que não pretende usar força militar e recuou da ideia de impor tarifas de importação a países europeus que se opusessem a uma eventual anexação da Groenlândia. Com isso, a tensão geopolítica que havia preocupado os mercados perdeu força nos últimos dias.
Do lado dos dados econômicos, um dos principais destaques foi a divulgação do PCE, sigla para Personal Consumption Expenditures, o índice de inflação usado como referência pelo banco central americano, o Federal Reserve. Os números referentes a outubro e novembro mostraram uma variação mensal de 0,2%, considerada baixa. Isso indica que, até agora, o impacto das tarifas de importação sobre os preços ao consumidor tem sido menor do que o esperado.
Apesar desse alívio no curto prazo, Tatiana Pinheiro alerta que a situação pode mudar. A inflação ao produtor, que mede o aumento de custos para as empresas, segue pressionada. Isso significa que, ao longo de 2026, parte desses custos pode acabar sendo repassada ao consumidor final, mantendo a inflação sob vigilância nos Estados Unidos.
Outro evento relevante foi a decisão de juros no Japão. O banco central japonês optou por não elevar a taxa neste momento, mantendo a política monetária estável. Ainda assim, a expectativa é que o país continue, ao longo de 2026, um ciclo gradual de alta de juros, movimento importante após anos de taxas extremamente baixas.
Voltando à semana atual, a projeção é de que o Federal Reserve mantenha os juros no intervalo entre 3,50% e 3,75%. No Brasil, a expectativa também é de manutenção da taxa básica, a Selic, em 15% ao ano. A Selic é a principal referência para empréstimos, financiamentos e investimentos no país, influenciando diretamente o custo do crédito e o ritmo da economia.
A equipe da Galapagos Capital avaliava que já haveria espaço para iniciar cortes de juros em janeiro, mas essa expectativa foi revista. Agora, o cenário base aponta para março como o momento mais provável para o início da redução da Selic. A mudança ocorreu porque o Banco Central do Brasil não deu sinais claros de que pretende iniciar esse movimento já na decisão desta semana.
Segundo Tatiana Pinheiro, mais importante do que a decisão em si será a comunicação do Banco Central. O mercado espera que a autoridade monetária comece a indicar, ainda que de forma cautelosa, que está se aproximando o momento de iniciar o ciclo de corte de juros. Esse sinal pode ajudar a ajustar expectativas, influenciar investimentos e trazer mais previsibilidade para a economia nos próximos meses.