Saúde
06/10/2026
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Quase 6 em cada 10 pessoas não sabem que têm pressão alta

Considerada uma doença silenciosa, a pressão alta muitas vezes não dá sinais, mas aumenta o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Quase 6 em cada 10 pessoas com pressão alta na Inglaterra não sabem que têm a doença. O dado faz parte de um estudo da University of Oxford com cerca de 1,4 milhão de adultos, publicado no BMJ Public Health em 23 de setembro de 2026 e divulgado posteriormente pelo site ScienceDaily. A pesquisa também mostrou que, entre as pessoas que já tomavam um ou mais medicamentos para controlar a pressão, 50,2% ainda apresentavam níveis de 140/90 mmHg ou mais.

Saber se a pressão está alta é importante porque a hipertensão pode permanecer durante anos sem provocar sintomas claros. Quando não é controlada, a pressão elevada aumenta o risco de problemas cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

No Brasil, 27,9% dos adultos das capitais dos estados e do Distrito Federal relataram ter recebido diagnóstico de hipertensão em 2023, segundo o Ministério da Saúde. O dado é da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), levantamento feito por entrevistas telefônicas nas capitais dos 26 estados e no Distrito Federal.

Na pesquisa britânica, 37,2% dos participantes foram classificados como hipertensos. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a hipertensão é caracterizada por pressão sistólica, a chamada máxima, de 140 milímetros de mercúrio (mmHg) ou mais, ou pressão diastólica, a chamada mínima, de 90 mmHg ou mais. O uso de medicamentos para baixar a pressão também foi considerado na classificação do estudo.

Entre as pessoas classificadas como hipertensas, 58,8% não sabiam que tinham a doença. Isso significa que quase seis em cada dez pessoas com pressão alta não tinham recebido o diagnóstico.

O estudo analisou adultos com 18 anos ou mais que participaram do programa Our Future Health, na Inglaterra, entre 2022 e 2025. Os pesquisadores avaliaram medições de pressão feitas em clínicas e informações sobre diagnóstico e tratamento.

A pressão alta aumentou com a idade, mas também apareceu entre os mais jovens. Entre os participantes de 18 a 39 anos, 15,3% apresentavam pressão de 140/90 mmHg ou mais ou relataram usar medicamentos para baixar a pressão.

O estudo também chama atenção para o fato de que adultos jovens não são elegíveis para o Exame de Saúde do NHS (Serviço Nacional de Saúde), segundo os pesquisadores. Para eles, a presença de hipertensão nessa faixa etária reforça a importância de identificar a doença mais cedo.

Outro resultado importante apareceu entre as pessoas que já faziam tratamento. Metade delas, 50,2%, ainda apresentava pressão de 140/90 mmHg ou mais. Isso não significa necessariamente que o medicamento não esteja funcionando. O resultado indica que uma parcela significativa dos pacientes em tratamento ainda não havia atingido os níveis considerados controlados pelos critérios utilizados no estudo.

Os pesquisadores também analisaram estudos realizados em diferentes países. Uma revisão que reuniu dados de 2000 a 2020 mostrou que, nos países de alta renda, aumentou a proporção de pessoas que sabiam ter hipertensão, que recebiam tratamento e que conseguiam controlar a pressão. Nos países de baixa e média renda, também houve avanços, mas em menor escala.

As análises internacionais mostram ainda diferenças importantes entre os países na identificação, no tratamento e no controle da hipertensão. No Reino Unido, desde 2021, as farmácias passaram a oferecer serviços para medir a pressão arterial e fazer o monitoramento ambulatorial da pressão antes do encaminhamento ao médico de clínica geral. Segundo os pesquisadores, ampliar esse tipo de atendimento pode ajudar a identificar e tratar mais pessoas com pressão alta.

Para os autores do estudo, os resultados reforçam a necessidade de identificar a hipertensão mais cedo e acompanhar melhor quem já recebeu o diagnóstico. A pesquisa defende estratégias de prevenção para toda a população e tratamento direcionado às pessoas com maior risco cardiovascular.

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