Saúde
10/02/2026
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Pesquisa revela avanço inédito contra câncer de mama mais agressivo

Pesquisadores da University of Queensland desenvolvem uma terapia inovadora que ajuda o sistema imunológico a reconhecer e destruir tumores difíceis, como o câncer de mama triplo negativo, abrindo caminho para tratamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais.

Um grupo de pesquisadores da University of Queensland, na Austrália, desenvolveu um novo anticorpo capaz de ajudar o próprio sistema imunológico do corpo a identificar e eliminar células cancerígenas agressivas. A descoberta representa um avanço importante no combate a tumores de difícil tratamento, como o câncer de mama triplo negativo, uma das formas mais agressivas da doença e que afeta milhares de mulheres em todo o mundo. O próximo passo envolve avançar para estudos clínicos, que poderão, no futuro, transformar essa descoberta em uma nova opção terapêutica para mulheres em todo o mundo.

No momento, a equipe busca novos financiamentos para a próxima fase do desenvolvimento do medicamento, com o objetivo final de realizar ensaios clínicos em pacientes com câncer de mama avançado.

O câncer de mama é o mais comum e a principal causa de morte, relacionada à doença, em mulheres em todo o mundo.

Um levantamento de dados da National Library of Medicine estima que 44.642 mulheres convivam atualmente com câncer de mama metastático no Brasil. Isso significa que uma em cada 2.409 brasileiras vive com a forma mais avançada da doença, o equivalente a cerca de 41 casos a cada 100 mil mulheres no país.

Os dados mostram que 58% das pacientes têm tumores sensíveis a hormônios, enquanto 25% apresentam câncer de mama do tipo HER2 positivo. Já o câncer de mama triplo negativo, considerado um dos subtipos mais agressivos e com menos opções de tratamento, representa 16% dos casos.

De acordo com a metodologia utilizada no estudo, divulgado na página da National Library of  Medicine, a sobrevida global mediana das mulheres brasileiras após o diagnóstico de câncer de mama metastático é de 26,2 meses, um indicador que reforça a gravidade da doença e a importância de avanços no tratamento.

A nova terapia, pesquisada pela University of Queensland, atua de forma precisa: o anticorpo reconhece uma proteína chamada ROR1, presente em muitos tipos de câncer agressivo, mas rara em tecidos saudáveis. Essa especificidade permite que o sistema imunológico ataque o tumor de maneira mais eficiente, ao mesmo tempo em que reduz o risco de danos às células normais do corpo, um dos principais desafios dos tratamentos oncológicos atuais.

Segundo o professor associado Fernando Guimarães, da University of Queensland, o anticorpo funciona como um “sinalizador”, ajudando as células de defesa a enxergar melhor o câncer. Com isso, o organismo passa a combater o tumor de forma mais eficaz e potencialmente mais suave para o paciente. A expectativa é de que essa abordagem resulte em tratamentos que não apenas aumentem a chance de sobrevivência, mas também preservem a qualidade de vida.

O estudo também avançou ao reforçar a ação das chamadas células NK (natural killer), responsáveis por destruir células tumorais. Os pesquisadores criaram versões aprimoradas dessas células, geneticamente modificadas, para resistir a um mecanismo usado pelo câncer para se esconder do sistema imunológico. Essa combinação mostrou resultados promissores em testes de laboratório e em modelos animais, com maior capacidade de localizar e eliminar tumores.

Para os cientistas, a pesquisa representa uma base sólida para o desenvolvimento de novas imunoterapias, especialmente em casos nos quais as opções atuais são limitadas. Se os resultados se confirmarem em humanos, a técnica poderá reduzir o tamanho dos tumores com menos efeitos colaterais do que muitos tratamentos hoje disponíveis, oferecendo novas alternativas para pacientes que enfrentam cânceres agressivos.

O trabalho foi conduzido pelo grupo de pesquisa do Frazer Institute, da University of Queensland, e publicado na revista científica Molecular Therapy.

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