O ouro, considerado há séculos um símbolo de riqueza, voltou a ganhar força como proteção em tempos de instabilidade. Dados divulgados em fevereiro pelo World Gold Council indicam que a demanda global pelo metal precioso cresceu em 2025, impulsionada principalmente pela forte atuação dos bancos centrais. Países de diferentes regiões ampliaram suas reservas como estratégia para proteger suas economias diante de tensões geopolíticas, inflação persistente e volatilidade cambial.
Quando um banco central compra ouro, ele está fortalecendo as reservas internacionais do país. Essas reservas funcionam como uma espécie de colchão financeiro para momentos de crise, ajudando a sustentar a moeda local, pagar compromissos externos e transmitir segurança ao mercado. Diferentemente de moedas estrangeiras ou títulos públicos de outros países, o ouro não depende da política econômica de um governo específico. Por isso, costuma ser visto como um ativo mais neutro e resistente a choques globais.
Relatório do World Gold Council, publicado recentemente, mostra que a demanda global por ouro, incluindo operações de balcão (OTC), alcançou 5.002 toneladas em 2025, o maior volume já registrado. O investimento em ouro disparou, a demanda dos bancos centrais permaneceu elevada, enquanto a fabricação de joias apresentou enfraquecimento.
Em 2025, o cenário internacional foi marcado por conflitos prolongados, disputas comerciais e incertezas sobre o ritmo de crescimento das grandes economias. Nesse contexto, muitos países decidiram diversificar suas reservas, reduzindo a dependência do dólar e aumentando a fatia em ouro. A estratégia busca diminuir riscos caso ocorram sanções econômicas, desvalorização de moedas fortes ou turbulências nos mercados financeiros.
O movimento não ficou restrito às grandes potências. Economias emergentes também reforçaram suas posições. O Brasil aparece nesse cenário com aumento nas reservas de ouro ao longo do ano passado, acompanhando uma tendência global de maior cautela. Para países em desenvolvimento, ampliar a participação do ouro é uma forma de fortalecer a credibilidade internacional e reduzir vulnerabilidades externas.
Além das compras oficiais, o investimento privado também cresceu. Fundos de investimento lastreados em ouro e a compra de barras e moedas por investidores individuais avançaram em várias regiões. Esse comportamento costuma ocorrer quando há receio de inflação elevada ou desconfiança em relação aos mercados tradicionais, como ações e títulos públicos.
O resultado foi a manutenção do ouro em patamares historicamente elevados no mercado internacional. O metal voltou a ser visto não apenas como reserva de valor, mas como instrumento estratégico de política econômica.
Ao ampliar estoques em 2025, os bancos centrais sinalizaram que a busca por segurança continua sendo prioridade em um ambiente global ainda marcado por incertezas.
Para o investidor comum, o movimento dos bancos centrais serve como termômetro. Quando países reforçam suas reservas de ouro, a mensagem é clara: em tempos instáveis, ativos considerados seguros ganham protagonismo.