Um dos estudos mais longos já feitos sobre prevenção de doenças mostra que mudanças simples no dia a dia — como melhorar a alimentação e se exercitar — podem trazer benefícios duradouros para a saúde, incluindo menos risco de infarto, AVC e até mais anos de vida.
O trabalho, chamado Da Qing Diabetes Prevention Outcome Study (DQDPOS), começou em 1986, na China, e acompanhou 577 adultos com pré-diabetes, condição em que o açúcar no sangue está elevado, mas ainda não é diabetes. Os resultados foram publicados mais de 30 anos depois na revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology.
Os participantes foram divididos em grupos: alguns passaram a seguir dieta, outros começaram a praticar exercícios, e um terceiro grupo combinou as duas mudanças. Houve também um grupo que não alterou a rotina.
Ao longo das décadas, os resultados foram claros. Quem adotou hábitos mais saudáveis teve 26% menos eventos cardiovasculares graves, como infarto e AVC, e uma redução de 33% nas mortes por essas doenças. Além disso, essas pessoas viveram, em média, cerca de um ano e meio a mais.
O estudo também mostrou que mudar o estilo de vida pode adiar o surgimento do diabetes tipo 2 em quase quatro anos. E mais: houve queda de 35% em complicações comuns da doença, como problemas nos rins e na visão.
Um dos pontos mais importantes da pesquisa é o chamado “efeito legado”. Mesmo após o fim do acompanhamento mais intensivo — que durou cerca de seis anos —, os benefícios continuaram aparecendo por décadas. Ou seja, mudanças feitas hoje podem impactar a saúde por muito tempo.
Na prática, isso reforça que medidas simples e de baixo custo, como caminhar regularmente e reduzir o consumo de açúcar, já fazem diferença real. Para especialistas, o estudo ajuda a mostrar que prevenção não depende apenas de remédios e pode começar com escolhas do dia a dia.