O Brasil terminou 2025 com um número recorde de empresas inadimplentes: 8,9 milhões de CNPJs com contas atrasadas. É o maior patamar já registrado pelo indicador da Serasa Experian, divulgado em março de 2026.
No total, as dívidas dessas empresas somaram R$ 213 bilhões em dezembro. Em um ano, o país ganhou cerca de 2 milhões de empresas no vermelho — eram 6,9 milhões no fim de 2024.
Um dos principais fatores por trás desse avanço foi o nível elevado da taxa básica de juros. Em 2025, a taxa ficou em 15% ao ano por nove meses. Juros altos encarecem empréstimos, financiamentos e até o uso do crédito no dia a dia das empresas.
Na prática, funciona assim: quando os juros sobem, fica mais caro pegar dinheiro emprestado para pagar fornecedores, investir ou até manter a operação funcionando. Com isso, muitas empresas passam a adiar pagamentos ou deixam contas em aberto, aumentando a inadimplência.
Além disso, juros altos também tendem a frear o consumo. Com crédito mais caro, os consumidores compram menos, o que reduz o faturamento das empresas e dificulta ainda mais o pagamento de dívidas.
Mesmo com a recente decisão do Banco Central de reduzir a taxa para 14,75% ao ano, após reunião do Copom em março de 2026, o impacto dos juros elevados ao longo de 2025 já havia pressionado o caixa das empresas.
Os dados mostram ainda o tamanho do problema. Em média, cada empresa inadimplente tinha sete contas em atraso no fim de 2025. A dívida média por CNPJ chegou a R$ 23,8 mil.
As micro e pequenas empresas foram as mais afetadas: 8,5 milhões delas estavam inadimplentes, somando R$ 185,4 bilhões em dívidas. Esse grupo, mais dependente de crédito e com menor reserva financeira, costuma sentir mais rapidamente o efeito dos juros altos.
Por setor, o maior número de empresas negativadas está em Serviços (55,2% do total), seguido por Comércio (32,7%) e Indústria (8,1%). Já na origem das dívidas, serviços financeiros — como bancos e cartões — aparecem entre os principais credores.
Regionalmente, o Sudeste concentra mais da metade das empresas inadimplentes do país (53,8% do total nacional), com destaque para São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Na sequência apareceram Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte.