Economia
20/01/2026
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Economia dá sinais de reação e pode adiar queda dos juros

A atividade econômica no Brasil mostrou sinais de melhora no fim de 2025, o que pode dificultar um corte imediato dos juros no início deste ano. A avaliação é da economista-chefe da Galapagos Capital, Tatiana Pinheiro, na coluna Fique de olho – primeira de 2025 –, ao comentar os dados mais recentes divulgados no País. […]

A atividade econômica no Brasil mostrou sinais de melhora no fim de 2025, o que pode dificultar um corte imediato dos juros no início deste ano. A avaliação é da economista-chefe da Galapagos Capital, Tatiana Pinheiro, na coluna Fique de olho – primeira de 2025 –, ao comentar os dados mais recentes divulgados no País.

Segundo Tatiana Pinheiro, os números indicam que a demanda, ou seja, o consumo de bens e serviços pela população, pode ter se recuperado no quarto trimestre em relação ao terceiro. Parte desse movimento é esperada nesta época do ano, por causa de fatores sazonais, como as festas de fim de ano e o pagamento do décimo terceiro salário. Ainda assim, pesquisas mensais sobre o setor de serviços e o comércio varejista, divulgadas na semana passada, mostram que houve um impulso adicional na economia além do padrão típico do período.

Esse cenário tende a complicar a vida do Banco Central do Brasil, instituição responsável por definir a taxa básica de juros do país. Quando a economia está mais aquecida, o risco de inflação aumenta, o que costuma reduzir o espaço para cortes de juros. Por isso, Tatiana Pinheiro destaca que será fundamental acompanhar, nos próximos dias, a comunicação dos membros do banco central e os sinais que eles dão ao mercado sobre os próximos passos da política monetária.

No cenário internacional, os Estados Unidos também trouxeram dados relevantes. O principal deles foi o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês), indicador oficial de inflação do país. O índice fechou 2025 em 2,7%, acima da meta estabelecida pelo Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano. Foi o quinto ano consecutivo em que a inflação ficou acima do objetivo, o que reforça uma postura mais cautelosa da autoridade monetária em relação a cortes de juros.

Apesar disso, houve um certo alívio na pressão política sobre o Fed. Segundo a economista, a administração do presidente Donald Trump reduziu o tom das críticas ao banco central na semana passada. Mesmo assim, o mercado segue atento à próxima decisão de política monetária e aos sinais sobre o que vem pela frente.

De forma geral, cresce o ceticismo entre investidores de que haverá espaço para cortes de juros nos Estados Unidos ainda neste ano. Tudo vai depender dos próximos dados econômicos, especialmente aqueles ligados à atividade econômica, que mostram se a economia segue forte ou começa a desacelerar.

A agenda internacional da semana também é intensa. Na China, serão divulgados o Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, que mede o total de riquezas produzidas no país,  além de uma nova decisão sobre juros e outros indicadores de atividade econômica. No Japão, o banco central também decide os juros. Na reunião anterior, o país voltou a elevar a taxa, e agora a expectativa é de manutenção em 0,75%, mas o resultado ainda será acompanhado de perto.

Na Europa, saem os dados finais de inflação de 2025, que ajudam a orientar as decisões do Banco Central Europeu. Já no Brasil, a semana tem poucos indicadores econômicos relevantes.

Por aqui, a atenção dos agentes do mercado ficará concentrada quase exclusivamente na comunicação do Banco Central do Brasil e na forma como a autoridade monetária interpreta os dados mais recentes da economia.

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