Saúde
06/01/2026
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Dançar pode proteger mais o cérebro do que palavras cruzadas, diz especialista em longevidade

Peter Attia, médico canadense-americano, especializado em longevidade e prevenção de doenças crônicas, defende que atividades que unem movimento e raciocínio estimulam mais o cérebro e ajudam a reduzir o risco de demência.

Fazer palavras cruzadas, resolver sudoku ou ir para a pista de dança? A pergunta parece simples, mas está no centro de um debate cada vez mais presente nas pesquisas sobre envelhecimento saudável. Para o médico Peter Attia, autor do livro “Outlive: A Arte e a Ciência de Viver Mais e Melhor”, atividades que combinam movimento físico e desafio mental podem ser mais eficazes para a saúde do cérebro do que exercícios cognitivos feitos de forma sedentária.

Em entrevistas e palestras sobre longevidade, Attia tem defendido que a prevenção da demência, incluindo a doença de Alzheimer, passa por estímulos mais completos ao cérebro. Segundo ele, práticas como a dança exigem que diferentes áreas cerebrais trabalhem ao mesmo tempo, algo que não acontece quando a pessoa se dedica apenas a jogos de lógica, como cruzadinhas ou sudoku.

Formado em medicina pela Universidade Stanford, Attia também passou por instituições de prestígio como o Hospital Johns Hopkins e o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos. Ao longo da carreira, ele mudou o foco da medicina tradicional, voltada ao tratamento de doenças, para a prevenção ativa, especialmente de problemas que surgem com o envelhecimento. Attia também é autor do livro “Outlive: A Arte e a Ciência de Viver Mais e Melhor”. Para ele, hábitos como atividade física, boa alimentação, sono de qualidade e saúde emocional são decisivos para reduzir riscos ao longo da vida.

Durante sua participação no evento HSM+, no Brasil, em novembro de 2025, o especialista reforçou essa visão ao explicar que atividades que unem raciocínio e movimento físico são especialmente eficazes na proteção contra doenças neurodegenerativas. Para Attia, o cérebro se beneficia quando precisa coordenar o corpo, planejar ações, manter o equilíbrio e reagir rapidamente a estímulos externos.

A dança é um dos exemplos mais citados por ele porque envolve ritmo, memória, coordenação motora e tomada de decisão ao mesmo tempo. Esse conjunto de desafios amplia a ativação cerebral e fortalece as conexões entre os neurônios, um processo conhecido como plasticidade cerebral, essencial para manter o cérebro saudável ao longo dos anos.

Attia ainda compara a dança com outros tipos de exercício físico. Ele afirma que esportes com raquete, como tênis, squash ou badminton, podem ser ainda mais estimulantes para o cérebro do que atividades repetitivas, como a corrida. Embora correr faça bem à saúde, o movimento tende a ser previsível. Já nos esportes com bola, o cérebro precisa acompanhar trajetórias, tomar decisões rápidas e ajustar o corpo o tempo todo.

Isso não significa que jogos de lógica ou a leitura deixem de ter valor. Segundo Attia, essas atividades continuam sendo positivas para a mente, mas ativam áreas mais específicas do cérebro. O problema surge quando elas são vistas como a principal ou única estratégia de prevenção da demência.

Na visão do médico, o maior impacto vem da combinação entre exercício físico e desafio mental. Atividades que exigem decisões rápidas, coordenação e adaptação constante estimulam o cérebro de forma mais ampla e profunda. Em Outlive, Attia explica que esse tipo de estímulo complexo pode reduzir o risco de demência e Alzheimer ao longo do tempo, justamente por manter o cérebro ativo, flexível e integrado ao movimento do corpo.

A mensagem central é clara: manter a mente ativa é importante, mas colocá-la em movimento pode fazer ainda mais diferença quando o objetivo é envelhecer com saúde cerebral.

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