Economia
17/03/2026
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Brasileiros já podem pagar compras na Argentina com Pix direto pelo celular

Sistema dispensa dinheiro em espécie e cartões internacionais e permite pagar em reais, enquanto o comerciante recebe em pesos.

Brasileiros que viajam para a Argentina agora contam com uma nova forma de pagamento para fazer compras com mais facilidade. Clientes de qualquer banco no Brasil já podem usar o Pix para pagar em cerca de 6 mil lojas físicas no país vizinho, apenas escaneando um código QR pelo celular. A novidade dispensa cadastro prévio e funciona de forma muito semelhante às transferências feitas no Brasil.

A escolha da Argentina para a estreia dessa modalidade de pagamento internacional está ligada ao grande fluxo de turistas brasileiros. Só nos primeiros meses do ano passado, mais de 150 mil brasileiros visitaram o país, muitos atraídos pelos preços mais competitivos em relação ao Brasil.

Na prática, o pagamento é simples. No momento da compra, o comerciante exibe um código QR, que pode aparecer em uma maquininha de cartão ou em outro dispositivo. O cliente abre o aplicativo do banco ou da instituição financeira brasileira, escolhe a opção de pagamento com Pix, escaneia o código e confirma a transação. Não é necessário fazer cadastro específico, habilitar função internacional ou abrir uma conta em outro país.

O objetivo é facilitar a vida de quem viaja, evitando a necessidade de levar grandes quantias de dinheiro em espécie. O processo também reduz a dependência de cartões internacionais, que costumam cobrar taxas e impostos mais elevados.

Até agora, quem fazia compras no exterior normalmente utilizava cartões de crédito internacionais, que incluem cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), além de taxas de câmbio e de conversão de moeda que aparecem na fatura. Outra alternativa são as chamadas contas globais, que oferecem cartões vinculados a serviços financeiros internacionais. Mesmo nesses casos, porém, também há cobrança de impostos e taxas de conversão cambial.

Com o Pix internacional, o funcionamento é diferente. O turista paga a compra em reais, diretamente da conta corrente ou da poupança no Brasil, enquanto o comerciante argentino recebe o valor na moeda local, o peso argentino. Essa conversão acontece automaticamente no momento da transação por meio de uma operação de câmbio integrada ao sistema.

Para o usuário, a operação aparece no extrato bancário como um Pix comum, com o valor debitado da conta. Sobre a transação incide o IOF, tributo federal cobrado em operações de câmbio e crédito. A conversão entre as moedas ocorre por meio de sistemas tecnológicos que conectam os bancos brasileiros às plataformas de pagamento argentinas.

A infraestrutura utilizada envolve tecnologias como APIs de integração financeira, além da solução de cobranças da empresa Wapa e da infraestrutura da Coelsa, companhia que atua no mercado de meios de pagamento na América Latina, segundo informações divulgadas pela Agência Brasil.

A expectativa é que essa forma de pagamento seja ampliada nos próximos anos. O sistema de Pix internacional está sendo estruturado para chegar a outros países da América Latina, o que pode tornar as compras no exterior ainda mais simples para os brasileiros que viajam pela região.

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