Seguros
04/02/2026
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Avanço dos carros elétricos na Europa pressionam o seguro auto a se adaptar no Brasil

Venda histórica de veículos eletrificados supera carros a gasolina no continente europeu e acelera a necessidade de seguros mais técnicos e personalizados no mercado brasileiro.

Ao final de 2025, pela primeira vez na história, os carros eletrificados passaram a dominar o mercado europeu. Veículos elétricos e híbridos responderam por 67% dos emplacamentos registrados no ano na União Europeia, no Reino Unido e nos países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), segundo dados da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA). O marco sinaliza uma virada estrutural no setor automotivo e começa a redesenhar também a forma como os riscos são avaliados pelas seguradoras.

Essa transformação não fica restrita à Europa. O avanço dos carros híbridos e elétricos no Brasil segue a mesma tendência, ainda que em ritmo diferente, e já pressiona o mercado de seguros a se adaptar ao novo perfil dos veículos. Modelos eletrificados têm tecnologias mais complexas, custos de reparo distintos e riscos que não existiam nos carros movidos apenas a gasolina, o que exige ajustes graduais nas apólices e na forma de calcular preços.

Apesar dessa mudança em curso, os números mostram que o seguro tradicional ainda tem peso relevante. Dados oficiais dos primeiros nove meses de 2025 indicam que o seguro de automóveis respondeu por cerca de 42% das receitas dos seguros de danos no país, com crescimento nominal de aproximadamente 6,1% em relação ao mesmo período de 2024. Isso reforça que, mesmo com a transformação da frota, o seguro auto segue como um dos pilares do mercado segurador brasileiro.

O crescimento dos veículos eletrificados, no entanto, é consistente. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), mais de 223 mil carros elétricos e híbridos foram vendidos no Brasil em 2025. Para se ter uma dimensão da mudança, em 2015 o país havia registrado menos de mil unidades desse tipo de veículo. Em apenas uma década, os elétricos deixaram de ser exceção e passaram a integrar o cotidiano das ruas brasileiras.

Parte desse avanço é explicada por incentivos governamentais, como isenção ou redução do IPVA em estados como Distrito Federal, Rio Grande do Sul e São Paulo. Ao mesmo tempo, a ampliação da infraestrutura de recarga, com mais pontos disponíveis em residências, condomínios, shoppings e vias públicas, aumenta a confiança do consumidor e reduz o receio de ficar sem energia no dia a dia.

Esse novo cenário já se reflete diretamente no mercado de seguros. Levantamento da Dimensa em parceria com a Agger, plataforma especializada em gestão e cotações de seguros, mostra que a procura por cotações de seguros para veículos híbridos e elétricos cresceu 81,2% entre o terceiro trimestre de 2024 e o terceiro trimestre de 2025, saltando de 883 mil para 1,6 milhão de solicitações. O dado indica que não apenas mais pessoas estão comprando carros eletrificados, como também estão buscando proteção específica para esses modelos.

Para as seguradoras, o desafio está em lidar com riscos novos. As baterias de alta capacidade, que são o coração dos carros elétricos, têm custo elevado de substituição e exigem cuidados especiais. Além disso, sistemas eletrônicos avançados, softwares embarcados e componentes de alta tensão mudam completamente a lógica de reparo e manutenção, criando riscos que não existem nos veículos tradicionais a combustão.

Ao mesmo tempo, esse movimento abre oportunidades. O avanço da eletrificação força o desenvolvimento de seguros mais flexíveis, técnicos e personalizados, alinhados a uma frota cada vez mais conectada e tecnológica. A virada europeia mostra que essa transformação é irreversível. Para o Brasil, a adaptação do seguro auto deixa de ser uma tendência distante e passa a ser uma necessidade concreta, acompanhando a mudança dos carros que já circulam nas ruas do país.

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