Saúde
17/03/2026
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Aspirina pode reduzir pela metade o risco de volta do câncer de intestino em alguns pacientes, aponta estudo

Pesquisa internacional mostra queda de 51% na recidiva do câncer colorretal em pessoas com alteração genética específica, que tiveram a dose adequada do medicamento. Mas, especialistas alertam que a aspirina só deve ser usada com orientação médica.

Um estudo internacional publicado na revista científica The New England Journal of Medicine indica que a aspirina pode reduzir significativamente o risco de retorno do câncer colorretal em alguns pacientes após o tratamento inicial da doença. A pesquisa mostra que, entre pessoas com uma alteração genética específica ligada ao crescimento do tumor, o uso do medicamento ajudou a diminuir pela metade a chance de recidiva ao longo de três anos.

O trabalho faz parte do ensaio clínico ALASCCA, conduzido por pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, em parceria com centros médicos de países nórdicos. O objetivo foi investigar se a aspirina poderia funcionar como um tratamento complementar para pacientes que já haviam passado por cirurgia e outras terapias contra o câncer de cólon ou reto em estágios iniciais.

Os cientistas concentraram a análise em pacientes que apresentavam mutações em genes ligados à chamada via PI3K, um conjunto de mecanismos dentro das células que, quando alterados, pode favorecer o desenvolvimento de tumores. Esse tipo de alteração genética aparece em cerca de 37% das pessoas com câncer colorretal.

No estudo, 626 pacientes com esse perfil genético foram divididos em dois grupos. Metade recebeu aspirina na dose de 160 miligramas por dia durante três anos, enquanto a outra metade tomou placebo. Após esse período, os pesquisadores observaram uma diferença importante entre os grupos. Entre os pacientes que usaram aspirina, 7,7% tiveram retorno do câncer, contra 14,1% entre aqueles que não receberam o medicamento. Na prática, isso representa uma redução de cerca de 51% no risco de recidiva da doença.

O oncologista Fernando Maluf, fundador do Instituto Vencer o Câncer, destacou os resultados em um comentário publicado em seu perfil no Instagram. Segundo ele, pesquisas anteriores já indicavam que a aspirina pode ajudar a prevenir pólipos intestinais — lesões que podem evoluir para câncer — e também reduzir o risco da doença em pessoas com maior predisposição.

“O grupo que recebeu aspirina, mesmo com tratamento oncológico, teve uma redução de risco de recorrência em três anos de 51%”, afirmou o médico. Para Maluf, os dados indicam que o medicamento pode funcionar como uma estratégia adicional para evitar que o câncer volte em pacientes que têm alteração na via PI3K e não apresentam contraindicação ao uso.

Apesar dos resultados promissores, o oncologista alerta que a aspirina não deve ser usada por conta própria. O medicamento pode provocar efeitos adversos, especialmente sangramentos, e por isso a indicação precisa ser feita por um médico após avaliação individual dos riscos e benefícios.

Além desse estudo clínico, outras pesquisas têm investigado novas formas de usar a aspirina no combate ao câncer. Uma revisão científica publicada em 20 de fevereiro de 2025 e indexada na base internacional PubMed aponta que avanços em nanotecnologia podem tornar o uso do medicamento ainda mais eficaz no futuro. O estudo analisa sistemas que utilizam nanopartículas para transportar a aspirina diretamente até o tumor.

Segundo os pesquisadores, esse tipo de tecnologia pode melhorar a estabilidade e a absorção do medicamento no organismo, além de permitir uma liberação mais controlada da substância. Com isso, seria possível aumentar o efeito terapêutico contra as células tumorais e reduzir os impactos no restante do corpo.

Os autores ressaltam que estudos clínicos ainda estão em andamento, mas os resultados iniciais reforçam o potencial da aspirina como parte de tratamentos mais personalizados contra o câncer. A ideia é combinar medicamentos conhecidos e acessíveis com novas tecnologias e terapias direcionadas para melhorar o prognóstico dos pacientes.

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