Saúde
20/02/2026
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Tecnologia criada no Brasil pode evitar amputações em pacientes com diabetes

Equipamento da Universidade de Brasília (UnB), que acelera cicatrização do pé diabético, está na fase final de aprovação da Anvisa. Expectativa é de chegar aos hospitais ainda neste semestre.

Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) pode trazer alívio para milhares de pessoas com diabetes que sofrem com feridas nos pés. Apesar da tecnologia não ser “exclusiva” para os pés, foi desenvolvida e testada prioritariamente para esse problema, onde o risco de amputação é maior. O equipamento Rapha entrou na fase final de análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Se aprovado, poderá ser disponibilizado ao mercado médico-hospitalar ainda neste semestre.

O projeto levou quase 10 anos para chegar à fase atual. A patente foi registrada em 2016 e os testes clínicos ocorreram entre 2017 e 2020. Em 2022, a tecnologia foi transferida para o setor privado e agora deve entrar em produção em parceria com a empresa Life Care Medical.

“Ver o Rapha avançar até a fase de transferência para a indústria e se aproximar da vida real dos pacientes confirmou que podemos efetivamente contribuir para melhorar a vida das pessoas”, afirma a coordenadora do grupo de Engenharia Biomédica da UnB, segundo informou o Secom UnB.

O foco do dispositivo é o “pé diabético”, uma complicação grave que dificulta a cicatrização de feridas e pode levar à amputação. No Brasil, cerca de 50 mil amputações por ano estão relacionadas à diabetes. O novo equipamento foi criado justamente para reduzir esse número.

Apesar de ter sido desenvolvido com foco principal no pé diabético – uma das complicações mais graves da diabetes e uma das principais causas de amputação –, a Rapha atua estimulando a cicatrização da pele. Por esse motivo, o princípio pode ser aplicado a outras feridas crônicas, como: úlceras venosas (comuns em quem tem problemas de circulação), feridas por pressão (escaras), lesões de difícil cicatrização. O uso para outros tipos de feridas depende de indicação médica e das autorizações regulatórias específicas.

O Rapha combina dois materiais simples, látex natural e luz LED, mas o resultado pode representar algo muito maior para quem convive com a diabetes: menos risco de infecção, menos internações e mais chances de manter a mobilidade e a qualidade de vida.

Primeiro, é aplicado sobre a ferida um curativo feito de látex natural, extraído da seringueira. Esse material ajuda o próprio corpo a reagir, estimulando a formação de novos vasos sanguíneos e favorecendo a reconstrução da pele. Além disso, tem ação antibacteriana e custo mais acessível.

Depois, uma luz LED vermelha de baixa intensidade é aplicada sobre o curativo. Essa luz penetra na pele e ativa mecanismos naturais de cicatrização, reduzindo a inflamação e acelerando a formação de tecido saudável. Cada sessão dura cerca de 35 minutos.

O equipamento é portátil, funciona com bateria e foi projetado para ser fácil de usar, inclusive em casa, com orientação de um profissional de saúde. Em estudos clínicos, pacientes que utilizaram o dispositivo apresentaram melhora na cicatrização quando comparados aos tratamentos convencionais.

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